Várzea seguirá interditada pelo baixo nível de água

Apesar de outubro marcar o fim do período de seca em todo o país, a preocupação com o nível das represas do Sistema Paraopeba – que engloba os sistemas Vargem das Flores, Rio Manso e Serra Azul – continua. Nesta semana, a Superintendência da Defesa Civil de Betim anunciou que vai manter a interdição do manancial para banho e prática de esportes, medida tomada desde o início de 2015 por causa dos problemas de abastecimento na região metropolitana. Além de preservar a represa de poluição e garantir o não desperdício de água – o reservatório está com apenas 34,2% da capacidade –, a interdição também é uma garantia de segurança para a população, conforme explica a Defesa Civil da cidade.

“O nível de água está baixo e queremos manter o pouco de água que a Várzea ainda tem. Não estamos recebendo apoio da prefeitura para desenvolver campanhas de prevenção. Por isso, todas as ações que estamos fazendo é por conta da nossa equipe. Como a água continua baixando, cercas de arames, tocos de madeiras e construções antigas que estavam submersas estão vindo à tona. Queremos garantir a preservação da água da Várzea (o manancial é responsável pelo abastecimento de 3,5% da Grande BH) e a segurança das pessoas, evitando assim que os afogamentos aumentem”, disse o superintendente da Defesa Civil de Betim, José Coelho Ribeiro.

Socorro

Além da seca, a represa da Várzea também enfrenta há anos sérios problemas que ameaçam a sua existência. Falta de preservação das matas ciliares, que estariam acabando com as nascentes próximas, ocupação irregular de imóveis e pousadas em sua orla, acesso sem controle do público na lagoa, além da captação irregular de água e do lançamento inadequado de esgoto na represa são apontados pela Defesa Civil como algumas delas.

Para José Coelho, falta atuação da Copasa e de outros órgãos do poder público para evitar um agravamento da situação. “A Várzea é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e, se a situação continuar como está, vai se transformar em um poço de lama. Penso que a Copasa teria que assumir a represa como ocorre hoje nas represas de Serra Azul e Rio Manso. É de responsabilidade da companhia fazer a fiscalização, a recuperação e o tratamento da Várzea”, disse.

Copasa

A Copasa informou que promove ações de educação ambiental no intuito de orientar os moradores e frequentadores da bacia hidrográfica sobre a importância da preservação ambiental. Além disso, afirmou que possui equipes de vigilância patrimonial que atuam nas áreas próximas ao reservatório, identificando intervenções que previnem e combatem focos de incêndio, que participa de grupo de trabalho criado pela Prefeitura de Contagem promovendo cursos para funcionários e professores da rede municipal de ensino sobre a importância do sistema Vargem das Flores.

A Copasa alegou ainda que mantém vigilância na orla do lago e que todas as intervenções que transgridam à legislação são comunicadas aos órgãos fiscalizadores. A empresa também disse que faz o monitoramento que abrange toda a bacia hidrográfica, com o intuito de orientar quanto ao uso sustentável dos recursos naturais.

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