A Polícia Civil ainda não tem pistas de quem possa ter invadido o Cemitério Parque Retiro da Saudade, no bairro São Salvador, na região do Citrolândia, violado um dos túmulos do local, ateado fogo na cabeça de um dos cadáveres e ainda usado uma pá para quebrar os dentes da vítima. O crime aconteceu na madrugada do Sábado de Aleluia, no último dia 26.
À reportagem, os funcionários do cemitério contaram que, ao chegarem para trabalhar, pela manhã, perceberam que algo estava diferente. “A tela do alambrado que dá acesso ao cemitério estava cortada. Depois, verificamos que uma das sepulturas estava violada”, contaram os funcionários, que pediram para não ser identificados.
Segundo eles, os vândalos teriam usado uma pá para cavar a cova de Vitor Augusto Camilo Miranda, de 19 anos. “Ele foi enterrado aqui há cerca de dez dias. Quando chegamos ao túmulo, percebemos que eles destruíram a tampa em que estava a região da cabeça do cadáver e atearam fogo”, completaram os trabalhadores.
O jovem estava detido em um presídio em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e teria falecido por causa de uma meningite. A perícia esteve no cemitério, e, conforme informações do boletim de ocorrência, como o exame de necropsia já havia sido feito e havia risco de contaminação, o corpo de Vitor Miranda não foi exumado.
Denúncia
Uma denúncia anônima sobre quem teria cometido o crime foi feita à Polícia Militar. “A pessoa afirmou que os prováveis suspeitos atuariam na ‘quadra da biquinha’, na região do Citrolândia”, contou a PM. A reportagem entrou em contato com o 2º Departamento da Polícia Civil, responsável pelo caso, mas, dois dias após o crime, o flagrante não havia sido enviado à delegacia.
Ameaça
Vitor Augusto Camilo Miranda, de 19 anos, era um velho conhecido dos funcionários do cemitério no São Salvador. Segundo os trabalhadores do local, ele teria ameaçado matá-los, com um facão, durante o enterro de seu irmão, no ano passado. “Até onde sabemos, o irmão desse rapaz morreu durante um assalto a bancos na cidade de Moedas. Ele também foi enterrado aqui. No dia do velório, Vitor ficou transtornado e nos ameaçou com um facão. Foi tanta confusão, que tivemos que fechar o cemitério mais cedo no dia”, revelaram os trabalhadores.
Por nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Betim informou que “está apurando o ocorrido”. Questionada, a prefeitura não se pronunciou sobre a segurança do cemitério.