A moradora Conceição Carvalho entra no posto de saúde ao lado da Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Guanabara. Inconformada, ela chega ao guichê da farmácia e entrega a receita médica ao atendente. Ele lê a prescrição médica e balança a cabeça, fazendo um sinal negativo. Logo depois, avisa o que, para a usuária, não é mais uma novidade: “Há quatro meses não há nenhum desses medicamentos na rede”. Para alguns, a situação pode parecer absurda, mas apenas retrata o cotidiano das unidades de saúde do município. A crise da falta de medicamentos e de insumos básicos tomou conta de Betim nos últimos meses e parece se agravar a cada dia.
Antes de buscar, sem sucesso, a farmácia do posto para conseguir gratuitamente omeprazol (indicado para tratar esofagite de refluxo, gastrite, úlcera gástrica e úlcera duodenal), sinvastatina (indicada para controlar os níveis de colesterol no sangue) e sulfato ferroso (indicados às pessoas anêmicas), Conceição Carvalho fez uma via-sacra por outras unidades de saúde da cidade. A sabatina foi acompanhada pela reportagem nesta semana. “Procurei também os remédios na UBS (Unidade Básica de Saúde) do PTB, no Alcides Braz (na região Central) e no Divino Braga. Em nenhum dos locais, encontrei os medicamentos. É um absurdo. Me sinto abandonada e lesada. Sou uma cidadã e tenho direito à saúde pública, está previsto na Constituição Federal. Faz muito tempo que Betim está esquecida pelas autoridades. Essa falta de medicamentos já vem acontecendo antes mesmo da crise econômica. Nesse governo, a situação está pior. Estão cuidando de pessoas, não animais”, desabafou.
Socorro
Indignado com a grave situação de falta de condições de trabalho e de materiais básicos para que os profissionais da cidade possam executar suas tarefas, o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde em Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) protocolou, pela segunda vez neste ano, uma denúncia no Ministério Público local. De acordo com o sindicato, a crise de desabastecimento de medicamentos e de insumos em Betim “em vez de melhorar, tem se agravado a cada dia e está se tornando insustentável”. Diretora do Sind-Saúde em Betim, Berenice Freitas definiu a situação como “catastrófica”. “Os servidores relatam que a falta de materiais está constante e que, por esse motivo, coloca em risco as atividades profissionais de todas as equipes”.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a reposição de medicamentos e insumos está ocorrendo em todas as unidades de saúde do município e disse que está reorganizando os estoques da rede.