Unidades de saúde continuam à mercê da insegurança

A criminalidade voltou a aterrorizar funcionários e pacientes da rede de saúde pública de Betim. Somente na semana passada, duas unidades foram alvo da ação de bandidos. Segundo os trabalhadores, a violência é recorrente e, apesar de eles pedirem mais ação das autoridades, nada ainda foi feito.

O caso mais grave aconteceu no Hospital Orestes Diniz, no Citrolândia, na noite de sábado (24). Segundo a Polícia Militar, Diego Fernandes da Silva, 22, entrou baleado no pronto-socorro da unidade, e, minutos depois, outro homem, que teria atirado na vítima, invadiu o local armado. “Os funcionários viveram momentos de terror. As pessoas choravam e saíram correndo, com medo. O usuário baleado se escondeu dentro do banheiro para fugir do bandido. Como o homem não o achou, foi embora”, contou o enfermeiro e representante do Sindicato dos Servidores da Saúde do Estado de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), Hudson Fernandes.

O fato aconteceu cinco meses após um homem de 21 anos sofrer uma tentativa de homicídio na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do Teresópolis.

Segundo o sindicalista, a insegurança no hospital do Citrolândia é diária. “A unidade está a ‘Deus dará’ e os funcionários estão na linha de frente, servindo de escudo para a criminalidade. Somos agredidos constantemente, tanto fisicamente quanto verbalmente. Na semana passada, uma funcionária foi assaltada no ponto de ônibus, quando voltava para casa”.

Para ele, é preciso mais policiamento na região e um guarda municipal à disposição do hospital. “A prefeitura diz que disponibiliza guardas para cada UAI (Unidade de Atendimento Imediato), então, teria que enviar para essa unidade também, já que atuamos em uma região com alto índice de criminalidade. Os porteiros mesmo precisam ser treinados para saber agir em situações de perigo como a de sábado (24)”, disse.

A técnica em enfermagem Pamela Roberta também reclamou da insegurança. Conforme ela, só nos quatro anos que ela atua no Orestes Diniz, já presenciou por três vezes bandidos invadindo a unidade. “Aqui tem muitas entradas e o acesso é muito fácil. Fora isso, convivemos sempre com agressões. Eu mesma já viu duas funcionárias apanharem de pacientes. Em uma situação, uma levou um puxão no cabelo e vários tapas. Na outra, a funcionária foi empurrada por uma paciente. Trabalhamos com medo”.

Conforme o capitão Claudiomar de Melo, responsável pela Cia. 268, que atende o Citrolândia, recentemente, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), responsável pelo Orestes Diniz, solicitou o reforço do policiamento na região. “Já estamos atendendo essa demanda. Na nossa companhia fazem patrulhamentos periódicos nas ruas que ficam no entorno do hospital”.

Sobre a invasão no sábado (24), ele explicou que, durante a noite, o número de efetivos é reduzido. “Optamos por reforçar o policiamento durante o dia, quando há maior fluxo de pessoas nas ruas”, explicou o capitão.

Arrombamento

Já na madrugada da última sexta (23), a Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro São João foi furtada. Os funcionários perceberam o ocorrido quando chegaram para trabalhar, pela manhã, e acionaram a polícia. Segundo os servidores, dois computadores, uma televisão de plasma e um equipamento que distribui senhas aos usuários foram levados. “Já roubaram o carro de uma funcionária que estava no estacionamento outra vez. Fora que, diariamente, convivemos com pequenos furtos”, contou a auxiliar administrativo Leila Lopes.

A agente Sílvia Santos disse que os trabalhadores sofrem com a insegurança. “A gente vive com medo de que algo pior aconteça. Já chegamos a cruzar os braços há dois anos, em sinal de protesto. Mas nada melhorou”.

Posicionamento

A Secretaria Municipal de Segurança Pública disse que não há como manter guardas municipais fixos em UBSs e que a prioridade é atender UAIs. Já a diretoria do Orestes Diniz declarou que não há como garantir 100% da segurança, mas que a questão da segurança na região está sendo trabalhada junto ao município e a PM.

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