Tiroteio em festa mostra acirramento da guerra do tráfico

O clima de tensão e a sensação de insegurança estão fazendo a fazer parte da rotina de quem mora na região do bairro Jardim Teresópolis. Na noite do último sábado (15), um tiroteio em uma festa de 15 anos que acontecia no bairro e que terminou com seis pessoas baleadas e outras três feridas, monstra mais uma vez como a guerra entre as gangues do Jardim Perla e do Teresópolis, que disputam há anos o tráfico de drogas na região, voltou a ficar acirrada.

O tiroteio ocorreu em um sítio na rua Santos Dumont. De acordo com informações da Polícia Militar, uma testemunha ligou para o 190, por volta das 23h40, contando que havia um homem armado efetuando vários disparos no aniversário.

Ao chegarem ao local, os militares se depararam com dois indivíduos que, ao avistarem as viaturas, tentaram fugir. “Após uma intensa perseguição, conseguimos localizar e prender os indivíduos. Eles possuíam as mesmas características que nos foram repassadas por meio da denúncia”, disse um policial.

Um menor de 17 anos foi apreendido e estava com 21 munições de uma arma calibre 9 mm. O material estava escondido na meia dele. O adolescente contou que estava na festa no momento em que um veículo Palio prata apareceu, e um dos ocupantes começou a atirar em direção aos participantes do aniversário, e que, a partir daí, começou a troca de tiros. Outro rapaz 21 anos foi preso ao tentar pular o muro de uma casa.

Ficaram feridos, segundo a PM, um homem de 45 anos, outro de 30, um terceiro de 57 anos, além de uma jovem de 18. Dois menores, de 16 anos, também foram atingidos.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que “os familiares dos feridos não autorizaram a divulgação do quadro de saúde deles nem de em qual unidades eles foram atendidos”.

Durante a confusão, conforme moradores, outras duas pessoas acabaram se queimando com óleo de cozinha, que estava sendo usado para fritar alimentos servidos na festa, e uma pessoa se machucou ao ser pisoteada. “Não sabíamos o que fazer. Foram vários disparos, ficamos com muito medo. Além do som alto, ainda temos que conviver com essa violência toda”, declarou um morador, que não quis se identificar.

Desabafo

Aterrorizada, uma moradora do Teresópolis afirmou que a região se transformou em um pavio de pólvora, onde os traficantes não respeitam mais nada e ninguém. “De um lado da avenida Belo Horizonte está a molecada da gangue do Perla e, do outro, a do Vila Recreio. Estamos no meio dessa ‘faixa de Gaza’, à mercê dos bandidos. Como não há mais um líder entre os traficantes, as polícias não estão controlando a situação e a prefeitura não faz mostrar a que veio com a sua Secretaria de Segurança Pública. Isso aqui virou uma terra sem lei. Estamos entregues à própria sorte. Meninos de 12 anos andam nas ruas armados. A partir do momento em que os bandidos estão se sentindo no direito de entrar em festas de aniversário de pessoas de bem e sair atirando, também se sentirão no direito de invadir creches e igrejas e fazer o mesmo. Nessa festa de 15 anos mesmo só balearam pessoas inocentes. O alvo dos bandidos não foi atingido. Estamos acuados, temos medo de falar e de acabar mortos no outro dia”.

Posicionamento

A Secretaria Municipal de Segurança Pública informou, por e-mail, que a questão da disputa pelo tráfico de drogas na região do Teresópolis diz respeito a uma responsabilidade das polícias Militar e Civil. “Por isso, a secretaria tem mantido contato constante com o comando das duas instituições na cidade, cobrando ações mais efetivas para a contenção do problema”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria das polícias Militar e Civil, entretanto, até o fechamento desta edição ninguém havia se pronunciado.

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