Taxa de homicídios cresce 27,5% no 1º trimestre

A taxa de homicídios em Betim nos três primeiros meses do ano é 27,5% maior do que o mesmo período do ano passado. Segundo levantamento feito pela reportagem de O Tempo Betim, com base nas ocorrências da Polícia Militar, já são 74 assassinatos na cidade só em 2015. No primeiro trimestre do ano passado, foram 58 execuções.

Apesar do índice maior no primeiro trimestre, março foi o mês com o menor número de execuções neste ano. Foram 16, número igual ao de 2014.

A região do Teresópolis, que registrou a maioria dos assassinatos no primeiro mês de 2015, ainda concentra o maior número de ocorrências, um total de 25%. Centro e Citrolândia vêm logo em seguida, com 18,75% cada uma.

De acordo com o delegado Álvaro Homero, da 8ª Delegacia de Homicídios de Betim, apesar do aumento no número de homicídios no primeiro trimestre, a criminalidade na cidade já começou a cair. “Fevereiro e março apresentaram índices dentro da normalidade. O grande problema foi o ‘boom’ da violência em janeiro, especificamente no Teresópolis, por causa de uma guerra entre gangues rivais. Foi o maior número desde 2005, mas nós já estamos conseguindo conter essa violência”, afirma.

Janeiro ainda contabiliza o recorde de assassinatos dos últimos anos, com 38, seguido de fevereiro, com 20.

Perfil
Em março, a faixa etária com maior número de vítimas foi entre 19 e 30 anos. Foram 10 mortes (62,5%). Uma delas ocorreu no bairro Boa Esperança. Um homem de 26 anos foi morto quando estava sentado em frente a um bar. Ele chegou a correr e entrar em casa, mas acabou caindo no chão já sem vida.

A segunda faixa etária com mais mortes é entre 31 e 50 anos, que representa 18,75% dos assassinatos de março. Os homens continuam sendo maioria, representando 6,25%. Apenas uma mulher, de 35 anos, foi executada, no bairro Bandeirinhas.

Investigação
O delegado Álvaro Homero afirma que a 8ª Delegacia de Homicídios de Betim tem trabalhado para resolver o maior número possível de inquéritos. Ele disse que cada caso leva o tempo médio de três a seis meses para ser solucionado, mas que 60% dos inquéritos que chegam à unidade são finalizados.

“Nós ainda estamos fechando os casos do fim de 2014, por isso, apenas os de urgência deste ano estão sendo analisados. Só em caso de flagrante conseguimos ter um parecer no mesmo mês”, afirma.

De acordo com o delegado, a Polícia Civil, junto com a Polícia Militar, tem intensificado buscas e ações nas ruas para reduzir os índices de violência no município.

Manifestantes fazem ato contra aumento da violência

Moradores e líderes sindicais se reuniram na última quinta-feira, (9), no hall do Centro Administrativo, para protestar contra o crescimento da violência em Betim e cobrar mais investimento do governo municipal em áreas como assistência social, segurança pública e educação. Durante a manifestação, eles colocaram 74 cruzes pretas no chão, que representavam cada um dos homicídios ocorridos no primeiro trimestre de 2015. O número já é 27,5% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

O protesto teve início as 10h e chamou a atenção de quem passava pelo local. No chão, um cemitério com 74 cruzes pretas ilustravam as mortes violentas ocorridas na cidade. Cartazes com dizeres como “Em Betim mata mais que no Afeganistão”; “Betim, uma cidade violenta” e “A vítima pode ser você” expressavam a insegurança dos manifestantes em relação à cidade em que vivem.

O funcionário público e líder sindical Rosivaldo Vieira Freire, 40, o Alemão, afirma que Betim está abandonada. Segundo ele, a sensação é de medo. “O protesto é para que o povo veja o que o governo está escondendo. O número de policiais é muito pouco para cidade. Temos mais viaturas paradas do que rodando. Na guarda municipal, atualmente, são só 180 homens, que não têm equipamentos de segurança direito”, garante.

Para ele, a cidade perdeu muito na área social, no esporte e na educação. “A Semas (Secretaria de Assistência Social) se preocupa mais com cargos comissionados do que com área social em si. Os parques estão todos abandonados. Por tudo isso, as crianças não têm para onde ir e estão ociosas, se envolvendo com tráfico de drogas e, com isso, contribuindo para aumentando da violência”, acredita.

A dona de casa Alessandra Meileres, 35, diz que no bairro Cruzeiro do Sul, onde mora, a situação também é preocupante. “Os assaltos no bairro estão constantes. Não temos mais sossego. Tem um comerciante que já soma mais de 22 duas ocorrências na PM. É uma vergonha”, diz, indignada.

Desinteresse
A um ano e meio do fim do mandato do governo Carlaile Pedrosa, os manifestantes dizem que poucos investimentos foram feito na cidade porque não há interesse do poder público. O jornalista Alexandre Bezerra, 45, mora em Vianópolis e afirma que é tudo questão de falta de vontade política. “Apesar de ser uma das regiões menos povoadas do município, Vianópolis está sendo uma das mais violentas. Segundo um estudo recente da PUC-MG, ela e Citrolândia são as que têm o menor IDH de Betim, ou seja, são as mais carentes, porém, são as que menos recebem investimentos na área social. Com isso, a violência cresce”, garante.

O mesmo pensa o soldado Renivaldo de Sousa, 34, morador do São João. A realidade é que temos que ficar encarcerados em casa, porque nas ruas de Betim a violência impera”, garante.

Prefeitura promete plano de segurança
Criada há cerca de três meses, a Secretaria Municipal de Segurança Pública ainda não mostrou a que veio. A pasta comandada por Luis Flávio Sapori continua sem apresentar nenhuma proposta concreta para redução da criminalidade na cidade.
Questionada sobre as cobranças dos manifestantes, a Prefeitura de Betim se limitou a dizer que um Plano Municipal de Segurança Pública está sendo finalizado, já tendo sido aprovado pelo prefeito Carlaile Pedrosa. Ainda de acordo com a nota, a divulgação será realizada nos próximos dias.

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