Suposto líder do tráfico é morto e medo ronda a região

A guerra entre facções rivais pelo comando da criminalidade continua amedrontando e assustando moradores dos bairros Jardim Perla e Jardim Teresópolis. Dois meses após um tiroteio na Escola Estadual Senador Teotônio Vilela deixar um morto e quatro feridos, um novo assassinato, na noite de segunda-feira (11), voltou a gerar medo na região.

De acordo com informações da Polícia Militar (PM), a vítima, desta vez, é Alexandre de Souza Fernandes, 43, irmão de Rodrigo de Souza Fernandes, o Mega, que está preso e é acusado de chefiar a quadrilha conhecida como Gangue do Gás, que disputa o tráfico de drogas no bairro Jardim Teresópolis.

A vítima, conhecida como Normal, estaria, segundo informações da polícia e de moradores da região, substituindo o irmão no comando da gangue. Conforme a PM, ele teria sido perseguido por dois homens em uma moto XRE branca quando saía do bairro Jardim Teresópolis. “Na rotatória que faz divisa com o bairro Laranjeiras, o veículo da vítima foi atingido por vários tiros. Ele perdeu o controle do veículo e acabou batendo em um poste. Depois disso, os ocupantes da motocicleta desceram e dispararam várias vezes”, contou o sargento Sérgio Reis.

Ainda segundo os militares, Fernandes teria passagem por homicídio consumado e tentado e porte ilegal de armas. “O caso será encaminhado para a Polícia Civil dar continuidade às investigações. Temos possíveis nomes que estariam envolvidos no crime”, concluiu Reis.

Peritos disseram que foram encontradas 13 perfurações de cápsulas 9 mm no corpo da vítima. Familiares não quiseram comentar o caso.

Um morador da região, que não terá a identidade revelada, afirmou que a situação pode voltar a ficar tensa com a morte de Normal. “Ele estava comandando a Gangue do Gás e teria sido o responsável pelo recente acordo de paz entre as comunidades dos bairros. Agora tememos a retomada da guerra”.

Segundo um dos líder comunitários da região, que terá o nome preservado, apesar de os moradores terem ficado amedrontados com a morte do suposto traficantes, a região estava tranquila. “Mesmo antes do tiroteio ocorrido na escola, os traficantes dos bairros Teresópolis, Vila Recreio e Vila Bemge haviam firmado um acordo de pacificação. Com a morte do Alexandre, que participou do acordo de paz entre os traficantes, ficamos com medo de que o terror e os tiroteios voltassem a acontecer, mas, graças a Deus, tudo continuou como estava. Quem assassinou ele é um traficante do bairro Nova Baden. Os traficantes de lá não participaram desse acordo, porém, esse bairro fica na região do Imbiruçu, mais distante da nossa região. Se eles tentarem algo contra os traficantes daqui, vão sair perdendo, pois estão em desvantagem e em número bem menor”, contou o líder comunitário da região.

Já de acordo com o major José Sérgio Felício, da Cia. 177 do 33º Batalhão da Polícia Militar de Betim, mesmo após o assassinato do suposto líder do tráfico, a região permaneceu tranquila. “Nos últimos meses, houve uma redução expressiva do número de homicídios e roubos na região. Isso aconteceu por causa do aumento da presença policial na região, desde a morte de um jovem na escola Teotônio Vilela”, afirmou o major.

Ainda segundo o militar, as ações da Polícia Militar vão continuar, por tempo indeterminado, até que a paz seja restabelecida na região. “Inclusive, fizemos um planejamento para aumentarem o número de efetivo. A expectativa é que até 76 policiais militares sejam fizados na região. Esse planejamento foi enviado para a Polícia Militar de Minas Gerais e, agora, estamos apenas aguardando uma resposta”, finalizou.

Toque de recolher

Em fevereiro, um sobrinho de Mega foi assassinado no Teresópolis. Houve toque de recolher. Agora, apesar da morte do irmão de Mega, comerciantes abriram as lojas normalmente na terça-feira (12).

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