Falta de soro, seringas, agulhas, sondas, máscaras, sabão, roupas de cama, coletores e até medicamentos de uso contínuo, como insulina e enalapril – utilizados para o tratamento da diabetes e da hipertensão, respectivamente. Como não bastasse o aumento da violência e a sujeira nas ruas do município, os betinenses que dependem hoje do Sistema Único de Saúde (SUS) em Betim ainda têm que conviver com a escassez desses suprimentos médicos essenciais, fruto, principalmente, do descaso e da irresponsabilidade do atual governo.
Pelo menos é isso o que denunciou o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde em Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), em um ofício protocolado na última segunda-feira (27), no Ministério Público local. Segundo o documento, “os servidores da Secretaria Municipal de Saúde estão vivendo uma situação grave de falta de condições de trabalho e falta de materiais para executar suas tarefas, conforme denunciado pelo próprio funcionalismo público”.
A situação caótica foi confirmada por diversos servidores da saúde, que participaram na terça-feira (28) de uma assembleia da categoria realizada na Praça do Brasileia. “Os pacientes vão pegar medicamentos na farmácia, não tem, e são orientados pelo governo a buscá-los na Farmácia Popular. Eles têm que andar a pé e desembolsar dinheiro do próprio bolso para ter acesso aos medicamentos. Isso é privatização da saúde. Não podemos aceitar. O governo não está nem aí para a saúde”, afirmou uma servidora, que terá o nome preservado.
Já segundo denuncia feita por um técnico de enfermagem da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Imbiruçu, que também participou da assembleia, “na segunda-feira (27), os funcionários tiveram que fechar as salas de curativos e odontologia porque não tinha material para trabalhar”.
Uma funcionária da Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro reclamou da falta de material na unidade. “Está faltando seringa de 10 ml, mas também temos que trabalhar com jelco (usado para puncionar acesso venosos para medicação e soroterapia) 20 porque falta o jelco 22, 24. É um problema grave que também está afetando o Regional, além de outras unidades de saúde da cidade”, declarou ela, durante a assembleia.
Já a diretora do Sind-Saúde, Berenice de Freitas, criticou o posicionamento do governo. “Eles negam que isso esteja acontecendo. Quero que provem. São os próprios trabalhadores que afirmam o problema. Já disseram, inclusive, que a prefeitura está pegando material emprestado em outros município”, disparou a sindicalista.
Mas não são apenas os servidores que sofrem com a desestrutura da saúde no município. Principal personagem dessa situação, os próprios usuários relatam o drama de quem depende da rede de saúde pública em Betim.
Segundo a diarista Sueli da Silva, 36, a situação dentro do Regional é crítica. “Meu filho ficou internado no CTI, foi para o semi-crítico e hoje está na ala de pediatria. Em todos os setores em que passou, vi que a situação é triste. Os funcionários fazem de tudo para atender da melhor forma possível, mas falta material, como seringas e gazes, e até antibióticos para as crianças. Eles têm que transformar as pílulas em medicamento líquido. Se uma pessoa precisa tomar uma injeção de 20 ml de um medicamento, tem que tomar duas vezes, porque não seringa de 20 ml”.
Nega
A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde informou que está realizando remanejamentos de medicamentos e insumos dentro das unidades da rede SUS e que não há falta dos itens citados e toda a assistência necessária está sendo prestada”. Sobre as denuncias feitas por pacientes relativas ao Hospital Regional, a secretaria disse “que está sendo implantado, na unidade, um novo sistema de dispensação e prescrição médica, que garante mais segurança aos pacientes, pois permite rastreabilidade e controle dos insumos utilizados. Essa mudança de lógica e funcionamento está em fase inicial e os fluxos estão sendo ajustados”.
O Ministério Público local informou que está acompanhando a questão da assistência farmacêutica em Betim.