Serviços oferecidos pela prefeitura aos moradores de rua

Na tentativa de ajudar os moradores de rua a reconstruir suas vidas, a prefeitura conta com o Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop). No local, que funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h, além serviços como café da manhã e da tarde, corte de cabelo e vale para almoço, os moradores de rua recebem atendimento com assistente social, psicólogo e advogado.

A prefeitura possui ainda um termo de cooperação junto à Apromiv com o Albergue Vitor Braighi, onde eles podem pernoitar, tomar banho, lavar roupa e se alimentar. No espaço, que tem capacidade para 40 pessoas e funciona 24 horas, é oferecido atendimento técnico e passagem de ônibus.

“O Centro Pop tem realizado trabalhos de inserção social, escutado fóruns e pré-conferências de Assistência Social voltados para as pessoas em situação de rua. Estamos buscando atender algumas das demandas, como a de oferecer alimentação, como café da manhã e almoço, para essas pessoas aos fins de semana. Estamos também em constante diálogo com a Secretaria de Saúde e com a Superintendência Antidrogas para oferecer total auxílio a essas pessoas”, afirmou a secretária da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Fabiane Patrícia de Quintela, a Bia.

Moradores de rua: drogas e álcool são os grandes vilões

“Não gosto de morar nas ruas, mas tive que sair de casa por causa das drogas. Sou usuário de crack e ver o sofrimento e a dor no olhar da minha mãe me faz sofrer dobrado. Mesmo eu sabendo que ela continua morrendo por dentro por eu ter me tornado isso, é melhor do que eu estar dentro de casa desse jeito”. Ao andar pelas ruas de Betim, não é difícil encontrar histórias como a de Adriano da Silva, 31. Assim como ele, muitos optaram por sair de casa e fazer das ruas a sua moradia, mesmo passando frio, fome e até discriminação.

De acordo com levantamento recente feito Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop), hoje, existem pelo menos 140 pessoas vivendo nessa situação em Betim. Embaixo do viaduto do Jacintão, por exemplo, o cenário encontrado na sexta-feira (7) era devastador: pessoas amontoadas com restos de comida, cobertor e papelão. Neste dia, o frio era intenso, com os termômetros marcando temperaturas de pouco acima dos 10ºC.

Segundo o Centro Pop, entre os principais motivos para eles terem deixado suas famílias, o mais comum é o uso abusivo de drogas e álcool (36,5%), seguido dos conflitos familiares, com 32% das justificativas.

“Além desses problemas l, no perfil dessas pessoas que moram nas ruas também têm os casos de egressos que, após deixarem a cadeia, foram abandonados pela família e vieram parar aqui. Há também os casos LGBTI, quando a família, por preconceito, não os aceitou em casa. Com isso, eles vão parar nas ruas e acabam se prostituindo”, disse o coordenador do Centro Pop, Tarcísio Pimentel.

Ainda segundo o levantamento, 60,25% dessas pessoas têm idades entre 18 e 39 anos, e 70% delas se concentram na região Central, como é o caso de Sonir Gomes de Jesus Viana, 31, mais conhecido como Hippie. Há cerca de cinco anos ele vive nas praças do centro de Betim comercializando sua arte.

“Faço artesanato e amo o que faço. Gosto de abordar as pessoas nas ruas para tentar vender meu trabalho. Não preciso de fazer nada de errado, consigo ganhar meu dinheiro com honestidade. Sou uma pessoa feliz, mas um dia quero ir para minha casa, poder deitar na minha cama, tomar um café quente e voltar a abraçar a minha filha, que tenho tanta saudade”, revelou.

A pesquisa revelou que 4,39% dos moradores de rua da cidade não sabem ler nem escrever, e 61,51%, não tem sequer o ensino fundamental completo. “A grande maioria tem o desejo de sair das ruas. Só ficam na espera de oportunidades de trabalho e moradia”, finalizou Pimentel.

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