Serviços ficam prejudicados durante a greve da polícia

Os betinenses que precisaram ir até as unidades da Polícia Civil da cidade nesta semana para fazer boletins de ocorrência, expedir carteiras de identidade, retirar atestado de antecedentes criminais, fazer emplacamento de veículos, dentre outros serviços, tiveram que ter muita paciência. E que na última segunda-feira (20), os policiais civis que atuam nas delegacias de área do município, na Delegacia de Homicídios, na Delegacia da Mulher e na Delegacia Regional de Betim cruzaram os braços. Já na quarta-feira (22), após uma determinação da Justiça, a categoria foi orientada a retomar as atividades, mas, até quinta-feira (23), os serviços não haviam sido normalizados.

“Mas não podemos garantir que a categoria voltou a trabalhar como antes, já que os policiais foram obrigados a dar fim a greve ‘na marra’. Foi desleal o governo estadual ter entrado com essa liminar sem abrir diálogo com a categoria. Já acionamos nosso departamento jurídico e vamos recorrer a liminar para retomar com a greve”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol-MG), Antônio Pereira.

Durante a paralisação, de acordo com o sindicato, 70% dos serviços prestados pela categoria em todo o Estado foram suspensos, sendo mantido nas unidades policiais somente os serviços essenciais, como o recebimento de flagrante e de termo circunstanciado de ocorrência (TCO).

Em Betim, o atendimento ao público estava sendo realizado somente das 14h às 16h40, já que todos os cerca de cem policiais que atuam no município aderiam a greve, com exceção de peritos e de funcionários do IML, conforme informaram os policiais civis da cidade.

“A média de atendimento em dias normais para o registro de veículos é de 150 por dia. Entretanto, com a escala de serviço reduzida em 30%, o número caiu para uma média de 50 veículos por dia. A liberação de documentos só ocorreu na quinta-feira, com exceção para veículos 0 km, furtados ou roubados. Já os exames de habilitação também foram reduzidos em 30%”, completaram os policiais, ao ressaltarem que nas delegacias não estavam sendo feitas as investigações, só os flagrantes, e todas as operações que estavam em andamento foram suspensas na período.

Instrutor de autoescola em Betim, Max Luiz Gonzaga, 45, reclamou da demora do atendimento e das filas enormes durante a paralisação. “Fui ao Detran olhar a pendência de um aluno e a fila estava enorme. Com essa greve, quem foi prejudicado foi a população. É um desconforto danado ficar esperando tanto tempo para ser atendido. É preciso que esse impasse entre a polícia e o governo Estadual seja resolvido o mais rápido possível, senão, os candidatos que vão prestar exames de habilitação serão muito prejudicados, caso a greve seja retomada. O número de vagas para a marcação de exames foi limitado”, afirmou.

O aposentado Chiugi Kassai, 75, foi outro morador prejudicado com a greve. Ele foi até o Detran na segunda (20) e na quarta (22) para retirar a carteira de motorista atualizada, contudo, voltou para casa de mãos vazias. “É uma situação complicada. Não posso usar meu carro para sair de casa”, disse.

Reivindicações

Equiparação de salários entre cargos, tratamento igual ao recebido pela Polícia Militar e contratação de pessoal estão entre as principais reivindicações da categoria.

Imbróglio

Na decisão da Justiça mineira, o Tribunal de Justiça disse entender que a greve da Polícia Civil é ilegal.
O tribunal alegou ainda que foi desencadeada uma greve sem nem mesmo estabelecer qualquer cronograma de negociação. O órgão também entendeu que o movimento trouxe inúmeros prejuízos.
Nesta semana, o sindicato também comunicou que se reunirá a categoria em uma assembleia geral no próximo dia 30 de junho, onde serão discutidos os resultados da audiência de conciliação que está marcada para às 14h da quarta-feira (29) no Palácio da Justiça.

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