Sem vigilância, escolas e UBSs são alvo de bandidos

Enquanto a Prefeitura de Betim disponibiliza guardas municipais para fazerem a segurança de um imóvel localizado na avenida Rio Madeira, no PTB, de propriedade do secretário adjunto da Infância, Geraldo Magela, o Dinho, e que não presta serviços à população, funcionários municipais sofrem com a falta de segurança em prédios públicos. Somente nas últimas três semanas, três casos de assaltos em escolas e unidades de saúde foram denunciados à reportagem. Em todos os casos, os trabalhadores afirmaram que não há a presença das guardas municipal e patrimonial nos locais.

O último assalto denunciado à reportagem ocorreu na tarde da última quarta-feira (10), no estacionamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Petrópolis, na região do bairro São João.

Segundo a auxiliar administrativa Maria das Graças Alves, 63, uma motorista da prefeitura parou o veículo no estacionamento, quando dois homens a abordaram. “Não vi o assalto, mas quando ela entrou na unidade, estava apavorada. Ela contou que eles colocaram a arma na cabeça dela e levaram, além do carro, dois celulares e a carteira dela. O pior é que ela disse que não tinha seguro e ainda estava pagando o veículo. Mas essa não foi a primeira vez. Outro dia, roubaram o celular de uma funcionária na porta da unidade. A rua aqui é muito deserta e escura. Saímos às 19h e muitos dos nossos colegas de trabalho moram em Belo Horizonte e ficam esperando a van passar por horas”, revelou.

Outra funcionária da UBS, que também terá o nome preservado, disse que foi enviado neste ano um memorando para a prefeitura, pedindo segurança para o local, pelo menos no período da noite. “Mas nos responderam dizendo que não há efetivo suficiente na guarda patrimonial para enviar para cá. Precisamos de segurança para nós e para os usuários”, criticou.

Já uma enfermeira do posto, que não terá o nome revelado, contou que um dia, quando estava largando o expediente, percebeu que haviam furtado o estepe do seu carro. “Queremos o mínimo, que é ter segurança para poder trabalhar com tranquilidade.”

Outro caso ocorreu na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Bueno Franco, no último dia 1º. De acordo com uma das vítimas, que preferiu não ser identificada por medo, por volta das 18h30, seis funcionários foram surpreendidos por um homem armado na unidade. “Ele nos obrigou a entrar em uma sala e roubou celulares, dinheiro e uma chave do carro de uma colega de trabalho”, contou. Outra vítima, que também não quis se identificar, disse que desde o início do ano já foram registrados cinco roubos no local. “Convivemos todos os dias com essa falta de segurança que nos impede de trabalhar”, explicou.

De acordo com a Polícia Militar (PM), um rastreamento foi feito na região, mas nenhum suspeito foi encontrado. Em protesto, funcionários da UBS interromperam os atendimentos na unidade por 24 horas. Um cartaz informando à população da situação foi afixado na entrada do posto de saúde.

Margarida

Já o outro crime aconteceu no dia 22 de maio, na Escola Municipal Margarida Soares Guimarães, no bairro Angola. Um funcionária esperava o irmão em frente ao portão da instituição, por volta das 17h45, quando um homem chegou para assaltá-la.

“Ele colocou a arma na minha nuca e mandou que eu entregasse o celular. Fiquei e ainda estou apavorada”, afirmou a funcionária, que também pediu anonimato. “Raramente vejo guardas municipais fazendo ronda na região para fazer a seguranças das crianças e dos funcionários”, denunciou a trabalhadora.

Versão

A Prefeitura de Betim, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Pública, informou que “a segurança das unidades de saúde do município, bem como de todos os prédios pertencentes à administração municipal, é realizada tanto pela guarda patrimonial, quanto pela guarda municipal. Ambas, por força de legislação, trabalham sem portar armas letais, portanto, sem condições de enfrentar ações criminosas com o uso de armas de fogo.”

A prefeitura ressaltou ainda que “é de responsabilidade do Estado a competência de ação policial ostensiva e que Betim carece dentre outros fatores, como o aumento do efetivo de policiais militares para patrulhamento de rua de caráter preventivo.”

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