Sem leito em CTI, paciente morre na UAI Guanabara

O trágico caso de um paciente de 52 anos morto na última quinta-feira (25), quatro dias após dar entrada na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Guanabara, demonstra um grave problema enfrentado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que está matando cada vez mais cidadãos: a falta de leitos nos Centros de Terapia Intensiva (CTI) na rede pública de saúde do país. Atualmente, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, todos os leitos de CTI na cidade são ofertados no Hospital Público Regional. A unidade conta aepnas com 28 leitos, sendo que 20 são destinados a adultos e oito para crianças.

Internado desde o último domingo (21) na unidade de saúde, Enelis Carlos da Silva apresentava um quadro grave de saúde. Ele estava entubado e sedado e, segundo familiares, estava com infecção no pulmão, no baço, nos rins e no fígado. Em função disso, o paciente precisava ser transferido imediatamente da UAI para um leito de CTI, onde poderia ser melhor assistido. Mas a vaga somente teria surgido, após a família do paciente ter feito uma denuncia à reportagem, na terça-feira (23). Contudo, mesmo após a publicação da matéria, ele acabou falecendo na unidade, por infecção generalizada, sem sequer ter sido transferido para um CTI.

Segundo uma das irmãs de Silva, a dona de casa Terezinha Maria Mendes, 62, a alegação da prefeitura de que o município havia conseguido uma vaga para ele no CTI é “mentirosa”. “O pessoal do Samu veio na unidade e disse que iria tranferí-lo, depois, entrou numa sala e ficou lá um tempão. Quando saíram, disseram que não teriam como levá-lo, porque ele estava muito mal. Para nós, eles não arrumaram vaga nenhuma. Minha irmã morreu em março deste ano pelo mesmo motivo: a falta de vaga em um CTI.”

Consternada com o falecimento de Silva, outra irmão do paciente, a costureira Clarinda Carlos, 55, criticou o descaso da saúde em Betim. “Estamos nos sentido humilhados. Deixaram meu irmão morrer a míngua, jogado naquela unidade. Tratam os pobres como se fossem cachorros. Ele era uma ótima pessoa, um irmão amoroso, que deixa mulher e dois filhos pequeno. Estamos sem saber o que fazer. A família dele não tem nenhuma condição financeira e também não temos como ajudar. Estamos sofrendo muito.”

A Secretaria Municipal de Saúde informou que Enelis Carlos da Silva foi atendido e cadastrado no SUS-Fácil – central que regula a disponibilidade de leitos em todo o Estado, sob gestão da Secretaria de Estado de Saúde. A secretaria ressaltou que aguardava a disponibilização de leitos para realizar a transferência do paciente.

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