Quem precisou utilizar o serviço do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante o feriado prolongado, se deparou com uma situação vergonhosa, que retrata as más condições de um dos serviços de saúde mais importantes da cidade. Com todas as quatro Unidades Móveis de Suporte Básico estragadas, uma van da Secretaria de Saúde, sem estrutura adequada, foi improvisada para atender pacientes em risco que precisavam ser transportados pelo Samu.
Funcionários denunciam a precariedade do serviço em Betim e dizem que a situação oferece risco para pacientes que dependem do atendimento. Segundo eles, o Ministério da Saúde destina uma verba mensal para a manutenção preventiva de cada ambulância, mas os veículos vivem estragados.
A vítima de um acidente no Brasileia, no último domingo (19), ficou mais de uma hora à espera de atendimento. Antônio Carlos Aguiar, 53, dirigia um Gol quando colidiu com um Ecosport entre as ruas Mamoré e Tocantins, por volta de 18h30. Segundo a professora Andreia Araújo, 53, que presenciou o acidente, o Samu só chegou após a terceira chamada.
Betim conta atualmente com quatro Unidades Móveis de Suporte Básico (USB), composta por técnicos de enfermagem e responsável por atendimentos mais simples, e duas Unidades de Suporte Avançado (USA), que possui médicos e aparelhos mais complexos. “A UBS 03 demoraria menos de 5 minutos para chegar ao local do acidente de domingo, porque fica dentro da prefeitura. Mas como ela estragou na última sexta-feira (17), foi preciso deslocar a UBS 01, que fica no Teresópolis, para atender a esse chamado. Para piorar a situação, essa ambulância também estragou na manhã de segunda-feira (20), se juntando à UBS 02, quebrada desde sábado (18), e à UBS 04, parada desde março”, revela um funcionário que pediu para não ser identificado.
Com isso, as seis equipes do Samu ficam praticamente sem ter como trabalhar. “Ficamos parados, porque não tem carro para rodar”, completa.
Improviso
Sem nenhuma unidade disponível para atender a população, a prefeitura precisou improvisar e até a última quarta-feira (22) os atendimentos considerados menos complexos eram realizados em uma van sem estrutura adequada, com parte do seu interior enferrujado, colocando em risco a vida da população. “Ela não era equipada para fazer atendimento. Não tinha plotter do Samu e nem giroflex (equipamento que emite sinais luminosos intermitentes)”, denunciou outro funcionário.
Ele diz que tudo isso é resultado da falta de manutenção dos carros pela prefeitura. “As ambulâncias estão encostadas. São carros que não passaram por manutenção e foram se deteriorando ”, afirma.
Em nota, a prefeitura confirmou a utilização de uma van para atender as chamadas do feriado, mas disse que ela tinha “todas as condições necessárias aos pacientes”. Já sobre a manutenção dos veículos, disse que a demanda é considerada normal e que eles já estão operando normalmente. No entanto, segundo o funcionário do Samu citado na matéria, até o fechamento desta edição uma USB e uma USA estavam estragadas.
Verba para reparo de unidades seria de R$150 mil por mês
De acordo com normativa do Ministério da Saúde, os municípios devem ter, no mínimo, uma ambulância do tipo USB para cada grupo de 100 mil a 150 mil habitantes e uma USA para cada grupo de 400 a 450 mil habitantes. Betim estaria dentro da previsão do governo federal se não estivesse com as suas quatro USB e duas USA constantemente paradas por falta de manutenção, conforme denuncia os próprios funcionários do Samu. “Pelo protocolo do governo federal, com 300 mil quilômetros rodados ou três anos de uso, as ambulâncias deveriam ser trocadas, mas aqui na prefeitura eles não trabalham corretamente e, por isso, não enviam os laudos necessários para isso”, revela um funcionário.
Segundo ele, o Ministério da Saúde destina cerca de R$ 25 mil mensais para manutenção de cada ambulância, o que representa R$ 150 mil no total. “Não sei o que está sendo feito com esse dinheiro, porque está tudo sucateado. A verba vem para Secretaria de Saúde, que mistura essas e outras verbas e vira tudo uma verdadeira zona”, reclama.
Resposta
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que a verba para ajuda de custeio dos serviços é tripartite, sendo proveniente do governo municipal, do Estado e do governo federal. No entanto, não especificou quais seriam esses valores.