Criada há três meses com o objetivo de reduzir o alto índice da criminalidade em Betim, a Secretaria Municipal de Segurança Pública ainda não apresentou nenhuma proposta que, de fato, possa deixar a população mais tranquila. A gestão de Luiz Sapori, que assumiu o cargo há cerca de um mês depois de um acordo político feito entre o prefeito Carlaile Pedrosa e a cúpula do PSDB estadual, também já começa a ser questionada.
É que, depois de tantas promessas anunciadas aos betinenses nas últimas semanas, parte da guarda municipal, que deveria atuar em parceria com a Polícia Militar (PM) no patrulhamento ostensivo e preventivo, foi escalada por Sapori, no início de março, para mapear residências onde há fossas externas.
A questão é denunciada por um próprio guarda municipal, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, há cerca de duas semanas, três equipes, cada uma composta por três guardas, desempenham o serviço que seria de atribuição de outro órgão. “A situação é absurda. A guarda que poderia ajudar na prevenção da criminalidade está fazendo um trabalho que é de responsabilidade de outro setor da prefeitura”, diz o guarda.
Ainda segundo ele, essa não seria a primeira vez que a tropa é colocada em desvio de função. “Até desapropriações em terrenos da prefeitura nós já tivemos que fazer. Outro dia, colegas da guarda tiveram que arrancar cercas de uma área pública”.
O guarda reclama ainda de sucateamento. “Somos cerca de 170 profissionais trabalhando desmotivados. Há três anos não são comprados novos uniformes. Além disso, o plano de carreira prometido por Carlaile durante a campanha eleitoral, em 2012, ficou só no papel”.
Promessas
Durante um debate com moradores e comerciantes do bairro Bueno Franco, na semana passada, Sapori retomou as promessas que fez em sua posse. “As 37 câmeras de segurança de Betim não estão funcionando, e elas são importantíssimas no combate ao crime. Outras 27 serão instaladas na cidade, com dinheiro do governo federal, e outras 30 também virão”, disse o secretário.
Sapori também reiterou que a construção do Centro de Ressocialização para Menores Infratores na cidade, uma demanda antiga da população, tem que ser feita o mais breve possível. “Se isso não acontecer, não vamos conseguir diminuir o índice de violência”.
Outra ação prometida pelo secretário é firmar parcerias com os programas Árvore da Vida, da Fiat, e o Fica Vivo!, do governo de Minas, para oferecer alternativas aos adolescentes e jovens. Sapori também propôs buscar parcerias com empresas para que elas possam dar oportunidades aqueles que participam de programas sociais.
Justificativa
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o trabalho foi solicitado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semmad) para que a Guarda Municipal pudesse apoiá-los cumprindo uma requisição do Ministério Público. “O trabalho implica que os guardas percorram as residências e verifiquem como é realizado o descarte do esgoto residencial. A prefeitura ressalta que as atividades vão durar apenas 60 dias e são de obrigação da GM, de acordo com a Lei municipal 5.343, de 31 de maio de 2012, que estabelece o estatuto da categoria, e da Lei 13.022 de 2014, direcionada para o estatuto geral das guardas municipais”.