Considerada um ambiente de lazer para muitos moradores de Betim, a represa Várzea das Flores, que faz parte da Área de Proteção Ambiental Vargem das Flores, responsável pelo abastecimento de água de milhares pessoas na região metropolitana, sofre com estiagem prolongada – que fez com que o nível de abastecimento caísse 0,9% em um mês – e também com o excesso de lixo que é despejado no seu entorno.
Nesta semana, moradores da região reclamaram do abandono da atual administração, afirmando que, nas ruas que dão acesso à lagoa, o que se vê é muito mato e todo tipo de lixo e entulho. “Os moradores não ajudam, pois descartam lixo nas ruas. O que sentimos é que esta região foi abandonada pelo poder público. Há muito tempo eles não limpam aqui. O mato alto torna difícil o acesso a alguns lugares. Em torno da lagoa, que deveria ser um ambiente tranquilo e um lazer para a população, a área está toda suja”, afirmou Rosângela Castro, 34.
Já Viviane Carmo, 33, afirmou que a represa se transformou em um bota-fora e cobrou das autoridades ações de limpeza na região. “O mato e o entulho tomaram conta aqui da região. Alguns lugares viraram bota-fora. Pedimos diversas vezes à prefeitura que desse uma atenção especial, mas não adiantou. Em volta da lagoa está difícil de transitar tranquilamente”.
Análise
Médico sanitarista e professor do Departamento de Medicina Preventiva da UFMG, Apolo Heringer, afirmou que essa situação reflete o desleixo da administração municipal. “É responsabilidade do município fiscalizar a coleta de lixo e o tratamento dos resíduos feito, geralmente, por empresas terceirizadas. Não adianta propagandas de conscientização da população, se a própria empresa de saneamento do Estado, a Copasa, despeja esgoto nos rios”, criticou.
A prefeitura informou que a limpeza da cidade vem sendo realizada dentro de um cronograma de ações que atende todas as regionais e afirmou que os moradores também são responsáveis pelo cuidado com o espaço e governo disse que descartar resíduos em áreas públicas é ato passível de multa, cujo valor pode chegar a R$ 5.000. O cidadão que flagrar tal ato deve ligar para o telefone 3512-3163.
Já a Copasa disse que não lança esgoto na represa e que todo o esgoto coletado pela companhia na região é encaminhado para tratamento.