Apesar de Betim contar, desde o início deste ano, com uma Secretaria Municipal de Segurança Pública, os moradores continuam sofrendo com o aumento da criminalidade. Segundo levantamento feito pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), divulgado na última terça-feira (13), somente de janeiro de 2014 a maio deste ano, 1.592 pessoas perderam algum bem sob a mira de um revólver, de uma faca ou sendo intimidadas por assaltantes nas ruas e avenidas da região Central. O estudo aponta que essa é uma das quatro maiores Zonas Quentes de Criminalidade (ZQCs) do município, já que essa área concentra 20,8% do total de registros de roubos consumados e tentados na cidade (7.662). As regiões do Jardim das Alterosas, Laranjeiras e São Caetano seguem logo atrás, com 4,5%, 3,2% e 1,4% da média de incidência desse tipo de delito, respectivamente.
Os dados são preocupantes e colocam em alerta, principalmente, quem percorre diariamente as avenidas Governador Valadares, Amazonas e Edmeia Matos Lazzarotti, vias que concentram a maioria das ocorrências. Conforme os dados da Seds, nessa região foi registrada a média de um roubo consumado e tentado por metro quadrado. Vale ressaltar que a região Central representa apenas 1,7% do território total de Betim, que é de 346 quilômetros quadrados.
O empresário Cássio Silva Prates, 32, é uma das vítimas que contribuiu para alavancar essas estatísticas de roubos em Betim. Somente nos últimos nove dias, o estabelecimento dele, localizado na avenida Edmeia, foi assaltado quatro vezes, pelo mesmo bandido. “Ele ameaça as recepcionistas com um facão que, por medo, entregam o que têm no caixa. Em uma das vezes, ele me viu e foi embora. Segui o homem que, em uma rua deserta, trocou de blusa, entrou em uma casa e levou uma televisão. No último assalto, na quarta (14), o marido de uma das minhas funcionárias estava. Quando ele viu o bandido, começou a gritar. O homem saiu correndo e se escondeu numa manilha de esgoto, mas foi preso, já que uma viatura da PM passava pela avenida na hora”.
De acordo com o empresário, a sensação é de total insegurança. “Ficamos à mercê dos bandidos. Esse homem foi preso, mas, daqui 120 dias, no máximo, deve voltar as ruas para cometer mais crimes”, disse.
Cenário em Minas
Cerca de 57% dos roubos consumados e tentados registrados entre janeiro de 2014 e maio deste ano nos 853 municípios de Minas Gerais aconteceram em Belo Horizonte e em outros cinco municípios, sendo eles Betim, Contagem, Sete Lagoas, Ribeirão das Neves e Santa Luzia.
Nesse cenário, somente o município Betim contribuiu com 5,1% das ocorrências de roubos consumados e tentados. Pelo levantamento da Seds, de janeiro de 2014 a maio de 2015, foram contabilizadas na cidade 7.662 ocorrências de roubos, sendo 7.454 registros de assaltos consumados e 208 de roubos tentados.
Principal alvo
O levantamento aponta ainda que o principal alvo dos bandidos são os pedestres (54,2%), seguido dos motoristas ou passageiros de ônibus ou de táxis (11,6%) e dos clientes ou funcionários de estabelecimentos (9,6%). A segunda maior incidência nessa região Central foram os roubos a estabelecimentos comerciais ou serviços (9,1%) e o meio mais usado para realizar esse tipo de delito foi utilizar a arma de fogo, com 60,7% das ocorrências registradas. Depois, aparece a categoria “não especificado (15,8%) e a ameaça (11,9%).
Vilão
Segundo o major Adriângelo Chaves, comandante da 174ª Cia. da PM, responsável pela área central da cidade, a polícia faz o acompanhamento e o policiamento ostensivo de onde há o maior registro de ocorrências na região. “Contudo, a onda de violência é um fenômeno nacional, impulsionado pela impunidade reinante e pelo mau exemplo da classe política. O infrator se sente no direito de cometer o crimes várias vezes, já que não é punido”, afirmou. “Por isso, as pessoas que transitam, especialmente, nas avenidas mais movimentadas, devem ter atenção redobrada e acionar a PM sempre que avisarem um suspeito”, finalizou o major.
Já a Secretaria de Segurança informou que tem conhecimento do estudo da Seds e que, a fim de discutir e cobrar ações que visem coibir roubos e furtos no centro, mensalmente, têm sido realizadas reuniões com o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), juntamente com a Polícia Militar. A prefeitura salientou ainda que há uma patrulha da Guarda Municipal, que atua preventivamente na região Central.