Rabecão depende de "boa-vontade alheia"

O policial civil chegou bastante alterado, saiu do rabecão gritando e reclamando muito. Em uma conversa informal com um dos policiais militares que também estava atendendo a ocorrência de homicídio, ele desabafou uma situação que parece ser uma rotina entre os profissionais da categoria: “não temos condições de trabalhar assim. Quase todas as vezes, temos que pedir ajuda à PM, que nem sempre pode ajudar. Já passei por situações ainda piores. Em um ocorrência, tive que pedir o auxílio de outras pessoas para carregar os corpos das vítimas, sem saber se estava correndo risco de vida. Infelizmente, na maioria das vezes, dependemos da boa-vontade de terceiros”.

Esse relato feito por um policial civil que atua hoje no único rabecão da Polícia Civil de Betim revela a dura realidade vivenciada diariamente por esses profissionais.

Segundo o policial civil, que terá o nome preservado para evitar possíveis represálias, são apenas cinco policiais, que se revezam entre si, de acordo com cada plantão, para atender a inúmeras de ocorrências diárias de homicídios, falecimentos e acidentes fatais. Eles, além de exercer a função de motoristas desses veículos, também têm que se virar e fazer a remoção de todos corpos sozinhos.

De acordo com outro policial, que também terá o nome preservado, as condições de trabalhos são realmente difíceis. “Somente a padiola (bandeja usada para colocar os corpos das vítimas) pesa 40 quilos. Ela é muito pesada e, para uma pessoa remover os corpos sozinha, é quase impossível. Quando os funcionários da área administrativa da polícia não se disponibilizam para nos acompanhar, o que fazem de boa-vontade, temos que fazer tudo sozinhos mesmo. Ou pedimos aos PMs para nos ajudar a remover os corpos ou temos que pedir a população. Já reclamamos do problema, mas a Polícia Civil afirma que falta contingente suficiente”, explicou o policial civil.

Versão

A assessoria de imprensa da Polícia Civil de Minas Gerias confirmou a situação a reportagem. Segundo eles, a remoção dos corpos conta com a ajuda de outro funcionário envolvido na ocorrência que, geralmente, são os peritos. “Mas, podem ser PMs, populares e, em alguns casos, os militares do Corpo de Bombeiros”, declarou.

A Polícia Civil disse ainda que “considera um rabecão suficiente para atender a demanda da região”.

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