Prefeitura recua e adia fechamento de unidades

O desmonte do sistema de saúde de Betim, anunciado pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) e pelo secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, vai ter que esperar. Após grande pressão popular, dos moradores e servidores da cidade, do Ministério Público e da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a prefeitura se comprometeu, em reunião realizada nessa quinta-feira (17), no governo do Estado, a não fechar as seis unidades de saúde nos próximos 30 dias.

Na semana passada, Rasível divulgou que as unidades básicas do Paulo Camilo, Guanabara e Campos Elíseos, além das UPAs Guanabara e Alterosas e da maternidade do Imbiruçu seriam fechadas porque a pasta teria que economizar R$ 45 milhões, devido à crise financeira. Ainda segundo Rasível, a dívida da secretaria gira em torno de R$ 80 milhões, metade referente ao ano passado.

Em nota conjunta divulgada pela SES e pela Secretaria Municipal de Saúde após a reunião, o Estado ressaltou que irá repassar ao município R$ 5 milhões referente a adiantamento de programas, valores em aberto e recursos novos para apoiar o município e garantir a assistência aos usuários mediante a busca de alternativas que não levem à desassistência da população de Betim e de municípios referenciados. “Ficou acertado entre as partes um prazo de 30 dias para que seja detalhada a proposta feita pelo município e as consequências assistenciais”, informaram as secretarias.

Ainda de acordo com o comunicado, a prefeitura se comprometeu a fazer o acerto dos honorários em atraso com a categoria médica e que levará a proposta de manutenção mínima de 30 dias na Maternidade Pública, Hospital Regional e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

A SES também irá discutir, em 30 dias, uma proposta de integrar o Hospital Regional de Betim ao Programa de Fortalecimento e Melhoria da Qualidade dos Hospitais Públicos do SUS (Pro-HOSP) na modalidade Gestão Compartilhada. “O apoio financeiro será para garantir a assistência para a população de Betim e municípios da região”.

Na semana passada, o governo teve uma derrota na Câmara na pretensão de municipalizar o Regional. Na terça-feira (15), durante audiência pública realizada no Ministério Público, o secretário Rasível propôs que o Estado assumisse a gestão da unidade.

Pressão
Para o vereador Antônio Carlos (PT), o recuo da prefeitura em fechar aconteceu após grande pressão de autoridades e da população, principalmente, após audiência de terça (15), no Ministério Público.

“O plano para fechar unidades estava pronto, e esse recuo foi uma grande vitória para a população de Betim e aconteceu por causa das ações do promotor Gilmar de Assis, dos governos federal e estadual, deputados e vereadores, além da população. Recolhemos mais de 12 mil assinaturas mostrando a indignação do desmantelamento na área da saúde. Agora, uma comissão foi montada para fazer um estudo da situação financeira da cidade para olharmos em quais outros setores podem ser feitos cortes, mas que não seja na saúde”, declarou o petista.

A técnica de laboratório Aline Silveira, que trabalha na maternidade do Imbiruçu, comemorou o recuo da prefeitura. “Eu acho que esse prazo para o diálogo é muito bom, porque estava uma decisão já tomada, imposta, e isso mostra que dá para buscar outra solução. A maternidade tem plenas condições de atender às mães, de maneira digna e acolhedora, coisa que, infelizmente, o Regional não tem condições”, afirmou a servidora.

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