Prefeitura não prevê verba para o teatro em 2016

A construção do teatro municipal, uma das obras mais esperadas pela classe artística da cidade e pelos betinenses, ao que tudo indica, não será retomada no próximo ano. Isso porque a prefeitura não fez a previsão de nenhum recurso no orçamento do ano que vem para essa obra.

A decisão do governo municipal de não investir na construção do teatro, cujas as obras estão paralisadas desde o fim do governo da então prefeita MDC (PT), em 2012, motivou várias críticas dos vereadores. Alguns parlamentares pretendem apresentar uma emenda ao orçamento, que já está em tramitação na a Câmara, destinando recursos ao teatro.

“Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (proposta que serve como base para a elaboração do orçamento), a retomada das obras do teatro constava como meta da prefeitura para o ano que vem. Mas, quando veio a proposta orçamentária, simplesmente o teatro foi deixado de lado. Não existe nenhuma dotação orçamentária (previsão de recursos) para o teatro. Com isso, mesmo se o prefeito quiser retomar a obra em 2016, ele ficará impedido porque não existe essa dotação. Por isso, eu e outros vereadores queremos elaborar uma emenda no orçamento destinando recursos ao teatro”, afirmou Léo Contador (DEM).

Segundo Léo, a prefeitura alegou que não tem recursos disponíveis para retomar a obra. “Foi prometido pelo governo que o dinheiro arrecadado com a venda de lotes do município seria destinado para o teatro. Mas não temos visto acontecer. Onde está esse dinheiro?”, questionou.
Já o vereador Eutair dos Santos (PT) ressaltou que, com isso, o prefeito Carlaile Pedrosa passará todo o seu mandato sem investir no teatro. “Infelizmente, quando pegamos a peça orçamentária, vimos que não tem recursos para o teatro. Uma obra que já recebeu R$ 5 milhões, mas que, nos últimos quatro anos, está aí parada, enferrujando. A cidade paga um preço alto com a violência porque a cultura está abandonada”.

O petista pretende também fazer uma emenda para destinar verba para a obra.

Representantes da classe artística também lamentaram o fato. “A minha companhia vai encenar uma peça agora, “Pudor, seu nome não é Nelson”, e não poderemos apresentá-la em Betim porque os espaços que temos na cidade são restritos. Teremos que ir para Poços de Caldas e Ibirité, que possuem teatros muito melhores, sendo que o orçamento de Ibirité, por exemplo, é muito menor que Betim. Por isso, vamos lutar pelo teatro e ver se a Câmara não poderia devolver uma parte da sua receita para ajudar na retomada da obra”, afirmou o diretor de teatro Emmano Garcia.

Uso indevido

A reportagem esteve no terreno onde deveria ser construído o teatro e constatou que o local está sendo usado indevidamente por funcionários da empresa Extra Engenharia, que era responsável pela obra. Segundo um vigia, funcionários da empresa estão usando o local como estacionamento. “Eles deixam o carro aí e depois um ônibus da empresa os leva para a capital”. A direção da Extra não se pronunciou sobre o assunto.

Já a prefeitura informou que não tem conhecimento sobre o assunto. Porém, enfatizou que cabe à empresa manter a guarda do local.

Resposta

Sobre a falta de verba para a obra, a prefeitura se limitou a dizer que uma auditoria contratada pela Funarbe, em 2013, constatou indício de fraude na obra executada na gestão de MDC e que o caso está sendo analisado pela Justiça.

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