Em meio a uma epidemia de doenças causadas pelo Aedes Aegypti, a Prefeitura de Betim estuda uma reformulação do sistema de saúde que pode afetar quase metade de suas unidades de atendimento à população. Com a justificativa da necessidade de corte de 15% no custeio por causa da crise financeira, o Executivo pretende fechar, segundo informações extraoficiais, sua única maternidade pública, além de duas Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) e de 14 Unidades Básicas de Atendimento (UBAs), o que representa 48% de toda a rede de média e alta complexidades de Betim. A Secretaria Municipal de Saúde confirma que está sendo feita uma reorganização da área, mas alega que ainda não há um posicionamento definitivo sobre o fechamento das unidades.
Conforme a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores de Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Berenice Diniz, os gerentes regionais já foram chamados para uma reunião sobre o fechamento. Ela explica que a informação é que serão desativadas a Maternidade Pública, no Jardim Teresópolis, e as UAIs dos bairros Alterosas e Guanabara. Além disso, a UBA Alterosas II já foi fechada e outras 13 unidades do tipo podem seguir o mesmo caminho. “Ficamos sabendo que o Hospital Regional já está sendo preparado para receber uma maternidade com o objetivo de absorver os pacientes da Maternidade Pública. E também que a ideia é fechar todas as UBAs que funcionam em prédios alugados”, afirmou.
O vereador Antônio Carlos de Matos (PT) confirma que o fechamento das unidades é iminente. “Já avisaram as diretorias das unidades que, se não fechar, não haverá dinheiro para fazer o pagamento dos funcionários. A saúde em Betim já está um caos, imagina perdendo todos esses locais de atendimento?”, avaliou.
Omissão. A reportagem percorreu unidades que devem ser fechadas e encontrou um cenário desolador. Deitado em um estreito banco de cimento na UAI Alterosas, o pedreiro José de Oliveira, 57, esperava pela cirurgia de amputação de um dos dedos do pé. Três dias após dar entrada na unidade e de ter sido diagnosticado com trombose, Oliveira dizia que, caso o procedimento não seja feito rapidamente, ele corre o risco de perder toda a perna. “Cheguei na segunda-feira às 6h45 e só fui atendido às 17h30. Agora tenho que esperar vaga no Hospital Regional para fazer minha cirurgia. Estou desiludido e com vergonha da saúde de Betim”, desabafou.
Saiba mais
MPMG. O Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para averiguar recursos gastos pela Prefeitura de Betim em um comercial de TV em horário nobre. O município teria investido R$ 1,5 milhão.
Crise. A principal perda de arrecadação foi relativa ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em especial aquele com origem na indústria automotiva.
UBSs
Remanejamento. Segundo a Prefeitura de Betim, a UBS Alterosas II só foi fechada porque outra UBS foi aberta no bairro Duque de Caixas, que poderia atender a demanda da unidade.