Prefeitura confirma que vai fechar seis unidades de saúde

Agora é oficial. Os moradores de Betim e de municípios no entorno vão sofrer ainda mais com o caos no atendimento em pleno período de epidemia de doenças causadas pelo Aedes aegypti. Duas Unidades de Atendimento Imediato (UAI), três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a Maternidade Pública de Betim – que já recebeu diversos prêmios pelo serviço prestado – serão fechadas nos próximos dias.

Devido à queda de 10% na receita do município, a prefeitura determinou o corte de R$ 45 milhões (15%) do orçamento da saúde neste ano. O fechamento desses locais faz parte do plano para redução de custos. O jornal O Tempo já havia mostrado a possibilidade das unidades serem fechadas desde a semana passada.

Em sua edição deste domingo, a reportagem mostrou áudio em que o secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis Júnior, falava sobre a necessidade de mudanças. Até que nesta segunda o titular da pasta divulgou detalhes do plano de cortes em uma reunião com vereadores.

Inicialmente, o plano era fechar 18 unidades, mas, após pressão popular, a prefeitura desistiu de desativar as 12 UBSs – três serão integradas em uma só. “As unidades Paulo Camilo, Campos Elíseos e Guanabara devem se concentrar no prédio da UPA Guanabara (que será encerrada). Com isso, parte da (população) da UBS do Paulo Camilo também iria para a UBS do (bairro) PTB”, explicou Rasível Júnior aos vereadores. A UPA Alterosas também será fechada.

Maternidade. A Maternidade Haydeé Espejo Conroy, no bairro Imbiruçu, será transferida para o Hospital Regional, possivelmente no terceiro andar. “Não temos alternativa. Eu recebi um comunicado dos médicos, e, se eu não pagar o salário de dezembro, eles vão paralisar as atividades a partir do dia 16. Então, eu preciso garantir a assistência até semana que vem, ou corre-se o risco de a cidade ter duas maternidades paradas (do Imbiruçu e do Regional)”, justificou o secretário.

Com a junção das unidades, segundo o secretário, serão 57 leitos maternos no hospital, porém o local é mais suscetível a bactérias e outras infecções, conforme questionam funcionários.

Rasível Júnior admite que, se não tivesse faltando dinheiro, não seria a hora ideal de fazer essas mudanças. “Vamos deixar as duas maternidades ‘colapsadas’?”, questionou. Haverá ainda a redução das equipes de atenção primária (antigo Programa de Saúde da Família), que passarão de 83 credenciadas para 78.

Respostas

Plano. A Secretaria Municipal de Saúde informou que ainda estuda o redimensionamento dos cortes frente à crise econômica e apresentou as necessidades de repasses dos governos estadual e federal.

Saiba mais

Reação. Na reunião desta segunda, os vereadores se mostraram preocupados com a lotação das unidades. Rasível Júnior disse que conta com a classificação de risco. “Não me interpretem mal, mas uma das formas de fazer o paciente de baixo risco procurar o lugar certo é a demora”.

Atraso. Segundo a prefeitura, o Estado tem repasses em atraso: R$ 7 milhões para as unidades de saúde; R$ 1 milhão para o programa Saúde em Casa; e R$ 260 mil para o Rede Cegonha.

Cobranças. Moradores programam um protesto para a manhã desta terça contra o fechamento da maternidade. Os vereadores cobraram nesta segunda o início das operações da UAI Norte, inaugurada em 2012, mas que ainda não funciona.

Secretário se queixa de pouca ajuda

“Tenho R$ 50 milhões que ficaram de restos a pagar do ano passado. Com mais R$ 45 milhões do corte, tenho no mínimo R$ 80 milhões a menos (no Orçamento)”, afirmou o secretário municipal de saúde de Betim, Rasível Reis, aos vereadores, para justificar o plano de cortes apresentado nesta segunda.

Segundo o secretário, a prefeitura é responsável por 70% de toda a verba da saúde da cidade. “Outros 28,5% (são) da União, mas devia ser 50%. E apenas 2,5% do Estado, que devia ser 25%. E a gente atende toda a região. Veja se tem condição. O Regional não tem recurso federal, e a transferência do Estado é ruim”.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que “vai analisar a melhor forma de ajudar a saúde do município”.

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