Prefeitura coloca guardas para vigiar imóvel de Dinho

As regalias oferecidas pela Prefeitura de Betim ao atual secretário adjunto da Infância, Geraldo Magela, o Dinho, parecem não ter fim. Não bastasse o privilégio de ter um imóvel de sua propriedade, na avenida Rio Madeira, no bairro PTB, alugado por dois anos pela atual administração – o município já pagou a ele mais de R$ 67 mil em aluguel para ele –, mesmo ele ocupando um cargo comissionado do governo, agora, Dinho tem a disposição guardas municipais para fazer a segurança de seu imóvel.

O problema é que, de acordo com denúncia feita por moradores da região, a casa não presta mais nenhum serviço à população. Isso porque, desde o último dia 29, os policiais militares da 187ª Companhia da Polícia Militar, que atuavam no local, tiveram que ser transferidos.

A mudança ocorreu depois de o Ministério Público determinar que o contrato de locação do imóvel de Dinho com a prefeitura fosse rescindido. Segundo a promotora Carolina Mendonça, que analisou o caso, o contrato era irregular, tendo em vista que a Lei Orgânica do Município estabelece que “prefeito, vice-prefeito, vereador, secretário municipal e o secretário adjunto não podem contratar com o Município”.

A nova mordomia foi confirmada pela reportagem nesta semana. Ao visitar ao imóvel, a reportagem flagrou dois guardas municipais no local. Contudo, em todas as três ocasiões em que a reportagem esteve lá, o portão estava fechado com correntes e com um cadeado.

Segundo um guarda municipal, que terá o nome preservado, oito guardas se revezam, 24 horas por dia, para vigiar o imóvel. A ordem, conforme ele, teria partido da Secretaria Municipal de Segurança Pública. “Recebemos ordens superiores e estamos apenas cumprindo. Estamos aqui desde o dia 1º (de junho), mas não sabemos até quando vamos ficar aqui”.

Já de acordo com outro guarda, que também não terá o nome revelado, o imóvel agora funciona com um ponto de apoio da Polícia Militar para o registro de ocorrências. Contudo, ao questioná-lo se seria possível fazer um boletim de ocorrência naquele momento, o guarda disse que “não”. “Temos computador, mas a internet ainda não foi ligada”, disse.

Durante uma audiência pública realizada na última terça-feira (9), na Câmara dos Vereadores, o secretário municipal de Segurança Pública, Flávio Sapori, afirmou que “o posto de atendimento no PTB está funcionando normalmente”.

O comerciante da região do PTB há 17 anos, Juarez Amorin, 51, afirmou que isso não é verdade. “Aqueles guardas não estão ali para atender a população, mas para vigiar o imóvel do secretário. Sempre quando passo lá a luz está acessa e o portão está fechado. Não estão fazendo atendimento. É um gasto desnecessário do nosso dinheiro. Esses guardas deviam estar atendendo a população, e o imóvel ser devolvido ao dono.”

Resposta

A prefeitura disse que não tem mais despesas com o imóvel, “já que ele se encontra emprestado e funcionando provisoriamente como ponto de apoio da PM, estando reservado para o registro de boletins de ocorrência”. O governo confirmou a presença da guarda e declarou que “há um acordo firmado com a PM até que seja inaugurada a nova sede no PTB.”

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