Antes mesmo de iniciarem a greve por tempo indeterminado, na última terça-feira (28), os servidores da educação de Betim já foram ameaçados pela prefeitura. Um comunicado assinado pela secretária municipal de Educação, Mary Rita do Prado, diz que os educadores que não trabalharem terão os dias descontados. No documento, ela afirma que “os profissionais que não se apresentarem em seus postos de trabalho terão descontados, em seu pagamento, os dias não trabalhados”.
A ação revoltou a categoria. “Isso (o corte) não vai nos abater. A greve continua e estamos com adesão de 70% das escolas de ensino fundamental e centros infantis”, afirmou o coordenador do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) subsede Betim, Luiz Fernando Souza.
O sindicalista também reafirmou que essa medida só prejudica as negociações. “Isso mostra a falta de negociação da prefeitura. Se cortar mesmo o ponto, será o primeiro prefeito que vai fazer isso. Já tivemos outra ameaça anteriormente, mas não se concretizou. Nós iremos continuar com o movimento até a prefeitura negociar nossa pauta e desistir de enviar os projetos do Ipremb (Instituto de Previdência Social do Município de Betim) para a Câmara”, afirmou.
Na quarta-feira (29), estava marcada uma reunião entre os governo e os sindicatos para discutir os projetos que pretendem alterar regras no Ipremb. No entanto, a prefeitura desmarcou o encontro por email, segundo o Sind-UTE.
Ainda segundo Souza, o comando de greve vai às escolas conversar com os funcionários que não aderiram à paralisação. “Os diretores e secretários que enviarem para a Semed (secretaria de Educação) os nomes dos trabalhadores grevistas, eles também são responsáveis, junto com o prefeito Carlaile, pelos cortes dos direitos dos servidores e pela desvalorização da categoria”, disse. “A prefeitura não paga nem o piso nacional para a educação infantil, e o salário do agente de serviço escolar é menor que o mínimo. Então, o ideal é o governo abrir o canal de negociação com o funcionalismo”, acrescentou.
Segundo uma pedagoga, que não quis se pronunciar, a ameaça da secretaria é imoral. “Pode até ser legal, mas é imoral fazer isso conosco. Por que não vão resolver os problemas da educação, com as escolas sem equipamentos, com a falta de materiais, com o perigo da violência nas escolas? Isso ninguém quer ver, mas cortar o nosso salário porque estamos reivindicamos nada mais que os nossos direitos, eles querem”, alfinetou.
A prefeitura não quis se pronunciou por que ameaçou cortar o ponto dos grevistas. Sobre os projetos relativos ao Ipremb, o governo informou que foram apresentados aos sindicatos em reunião no dia 24 de fevereiro, com prazo para análise, acordado entre as partes, de 60 dias. “O objetivo da apresentação dos projetos foi acolher sugestões dos sindicatos antes do envio para análise da Câmara Municipal do município. Portanto, esta discussão é anterior à campanha salarial e não tem relação com as reivindicações do funcionalismo”, declarou a prefeitura.