Precariedade do hospital revolta usuários e servidores

A precariedade do Hospital Regional de Betim, que atente à mais de 400 mil habitantes da cidade, além de usuários de outros 20 municípios vizinhos, está piorando a cada dia. Relatos de pacientes e trabalhadores da unidade feitos nesta semana dão conta de que a realidade da unidade hoje é de superlotação, equipamentos sucateados e com defeitos, além da falta profissionais e de materiais básicos de atendimento, como álcool, fraldas e papel toalha.
“A falta de material para fazer cirurgias é pontual. Todo o dia falta alguma coisa. O triste é saber que o hospital já foi referência no Estado. Hoje em dia, a falta de uma boa gestão está prejudicando o atendimento. O descaso é muito grande”, desabafou um médico da ortopedia, que pediu anonimato.
A reportagem também ouviu o depoimento indignado da dona de casa Daniele Ferreira dos Santos, 29. O filho dela, Daniel Roger Quintino dos Santos, 8, que tem problemas neurológicos e paralisia em um lado do corpo, há meses tenta fazer uma ressonância magnética no hospital, contudo, segundo ela, os funcionários disseram que apesar de a unidade ter o aparelho, não há profissional capacitado para fazer o exame. “Não há nem neurologista na rede pública de Betim. Para tratar dele, tive que pagar um plano de saúde. Mas fica muito caro”, disse.
Profissionais e pacientes também denunciam que o aparelho de exame de endoscopia do hospital está estragado há mais de um ano e afirmam que, nos últimos meses, como não há na unidade frascos para coletar exame de urina de 24 horas, os profissionais estão utilizando garrafas pet. “Todo o hospital está coletando diurese para fazer esse exame de urina 24 horas em garrafas improvisadas. Além de não ter atendimento de qualidade para os usuários, nós não temos condições dignas de trabalho. Faltam muitos materiais. O aparelho de endoscopia está até hoje com defeito”, denunciou outra servidora.
A Secretaria de Saúde afirmou que os exames de endoscopia continuam sendo realizados no hospital e esclareceu que a unidade nunca realizou exames de ressonância magnética. A pasta ressaltou que os fornecedores estão repondo o estoque de materiais e que está realizando remanejamentos dentro das unidades da rede para assegurar a assistência.

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