A Polícia Militar (PM) procura três homens responsáveis por um duplo homicídio ocorrido na madrugada deste sábado. Segundo a Polícia Militar, os corpos de duas mulheres foram encontrados perto de um forró, no bairro Granja Santo Afonso, às margens da MG-060. Uma terceira vítima também foi atingida por disparos, fingiu-se de morta e pediu socorro. Ainda segundo a PM, o crime aconteceu depois que as jovens brigaram com três homens em uma festa em um sítio na região de Vianópolis. Um policial aposentado teria participado da festa em que as garotas estavam.
De acordo com o boletim de ocorrência, depois de mantê-las reféns por duas horas, os criminosos pararam em um primeiro local, atiraram no peito da jovem de 15 anos, abandonaram a vítima, que sobreviveu, e seguiram viagem com as outras adolescentes. Neste momento, a vítima simulou que estava morta e procurou por ajuda a moradores da região. O crime teria acontecido às 23h50.
Os corpos das outras duas jovens, de 16 e 17 anos, foram abandonados minutos depois próximos a um bar localizado na avenida Brasília, Bairro Granja Santo Afonso. Segundo a PM, o crime não teria nenhuma motivação conhecida e os indivíduos ainda não foram localizados.
A terceira vítima segue hospitalizada. Até o momento, segundo a prefeitura de Betim, os familiares da adolescente não foram encontrados e por isto não foi possível informar o estado de saúde da vítima.
Versões
De acordo com testemunhas que estavam no local, a menor levou um tiro no peito e, para sobreviver, se fingiu de morta. Testemunhas contaram que, enquanto aguardava a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a adolescente chorava e gritava muito dizendo que não poderia morrer por ter um filho pequeno para criar.
Aos militares, a sobrevivente relatou que tudo começou quando ela e mais quatro amigas, entre 15 e 17 anos, que moram no bairro Maria da Conceição, em Contagem, foram para uma festa em um sítio a convite de um amigo.
As jovens chegaram no local às 16h e por volta das 21h teria começado uma confusão com alguns homens que estavam no local, porque elas teriam rejeitado manter relações sexuais com eles.
No entanto, outras duas amigas que estavam na festa, afirmaram à corporação que a briga, na verdade, teria acontecido, porque as adolescentes estavam zombando dos homens e desacreditando que eles estavam armados.
Segundo as jovens, a festa teria por volta de 15 a 20 pessoas e era regada "a tudo".
Por volta das 23h20, as cinco amigas saíram da festa e estavam voltando para a casa em Contagem com o amigo que teria as convidado, no entanto, neste momento, três homens, com as quais as jovens se desentenderam mais cedo, armados, renderam as adolescentes e pediram que apenas que as três jovens, de 15, 16 e 17 anos, passassem para o carro do suspeitos. O amigo e as outras duas adolescentes foram embora para Contagem.
Às 23h50, a Polícia foi acionada. Moradores do local afirmaram terem ouvido ao menos cinco disparos. Os corpos das adolescentes foram encontrados na altura do km 55, da MG 060, a uma distância de 50 metros um do outro. Um dos corpos teria sido deixado no trevo de Caio Martins.
Família
Sem se identificarem, familiares das jovens mortas informaram que as adolescentes saíram escondidas de casa. As jovens eram muito amigas e moravam no mesmo conjunto habitacional.
As adolescentes teriam sido convidadas por um homem mais velho, conhecido como "Val", que até o momento, não teria sido encontrado pelas famílias.
Uma das irmãs da adolescente morta de 16 anos contou que a jovem teria ligado para um irmão por volta das 23h pedindo ajuda e informando que estava próxima a Jatobá. O irmão não teria acreditado e brigado com a jovem.
"Ele queria passar um sermão nela, para ela parar de dar susto. Não imaginávamos. Nós vimos que 20h30 ela postou uma foto no Whatsapp com dois corações partidos. Minha mãe está dopada, não está em condições de lidar com isso", afirmou.
"Nós sempre aconselhávamos e falávamos para elas pararam de se misturarem com o bolo, mas essas meninas não escutavam. A gente cansa. Minha filha tinha falado na sexta-feira que ela ia voltar a estudar e me ajudar, arrumar um emprego. Não deu tempo", desabafou o pai de uma das adolescentes mortas, de 17 anos, que deixou um filho de 2 anos.
À reportagem, testemunhas informaram que festas desse tipo eram comuns, porque uma mulher mais velha, que supostamente fazia programas, convidava várias garotas para irem a festas. As famílias negam que as adolescentes faziam programa.
Sem localizar os suspeitos e o local da festa, a Polícia Militar informou apenas que o sítio seria na região de Vianópolis e Marimbá. As duas testemunhas afirmaram a corporação não saber o nome do amigo que as teria convidado nem saber a localização da festa.