Criada em fevereiro de 2015, após um acordo com o PSDB estadual, a Secretaria Municipal de Segurança Pública, comandada pelo sociólogo Luís Flávio Sapori, ainda não mostrou a que veio. Apesar de ter consumido, somente em 2015, R$ 22,7 milhões dos cofres municipais, ultrapassando inclusive os recursos aplicados pela prefeitura em setores como Esportes, que recebeu R$ 10, 1 milhões, e a Cultura, que teve R$ 11,9 milhões no mesmo ano, a maioria das promessas do “Plano de Segurança” anunciado por Sapori, em abril de 2015, foi realmente cumprida.
Nesta semana, a reportagem entrou em contato com a secretaria para saber da execução de alguns dos projetos considerados carros-chefes da pasta e descobriu que a maioria deles não saiu do papel. É o caso do projeto #Recomeçando, que, na teoria, buscaria promover a inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade social. Pelo Plano de Segurança lançado, o projeto piloto seria realizado no Teresópolis e era para ter sido implementado até o segundo semestre de 2015. Entretanto, conforme uma funcionária da Secretaria de Segurança Pública, o projeto ainda está em fase de licitação e deve começar daqui um mês. “Vamos contratar uma ONG para executar o projeto. Ela é que vai selecionar os 60 jovens que serão atendidos”, explicou.
Morador do Teresópolis, João Vitor, 18, já foi usuário de drogas e lamenta o fato de o projeto não ter sido implantado ainda. “Faltam muitas oportunidades para os jovens do Teresópolis, principalmente cursos que ensinem uma profissão. Eu mesmo já me envolvi com drogas e larguei há um ano. É muito difícil sair sem ajuda”.
Outros projetos previstos para começarem a ser executados ainda em 2015, como o “Tô Ligado”, de prevenção do uso e abuso de drogas, e o “Projeto Protejo”, voltado para jovens expostos à violência doméstica ou urbana, também não saíram do papel, segundo a própria Secretaria Municipal de Segurança Pública, assim como o centro para menores infratores.
Criminalidade cresce
Enquanto o Plano de Segurança lançado por Sapori fica na promessa, os números da criminalidade continuam crescendo e aterrorizando a população. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), em 2015, foram 11.100 roubos e furtos na cidade. Além disso, a taxa de assassinatos chegou a 61,8 para cada grupo de 100 mil habitantes, o que significa que a cidade é seis vezes mais violenta que o limite estabelecido pela OMS – acima de 10 por 100 mil é considerado epidemia de violência. Prefeitura alega que ações ainda não foram cumpridas por causa da crise econômica da cidade.