Desanimado com o desempenho da atual gestão do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), de quem foi vice entre os anos de 2001 e 2008, o ex-deputado estadual Pedro Ivo Ferreira Caminhas, o Pinduca (PP), diz que não pretende mais se candidatar a cargos majoritários. Segundo ele, nas próximas eleições, a intenção será a de voltar para a Câmara de Vereadores de Betim.
Pinduca é mais um dos antigos políticos da cidade que pretende se afastar da principal disputa de 2016. Na semana passada, a ex-prefeita Maria do Carmo Lara não se inscreveu como pré-candidata do PT, deixando a vaga para ser disputada entre os vereadores Antônio Carlos, Eutair Santos e Daniel Costa, além do dirigente Claudiney Thasmo e do ex-prefeito Jésus Lima.
Além de mostrar descrédito com seu antigo grupo político, a ponto de descartar um convite para ser vice de Carlaile em uma eventual composição futura, Pinduca também planeja recuperar seu prestígio na disputa para o Legislativo. O “político do povão”, como gosta de ser chamado, pretende atingir uma boa votação para vereador e ajudar seus companheiros de partido a se elegerem, construindo uma base forte a partir de 2017.
“Eu pretendo voltar a ser vereador para continuar meu trabalho junto às pessoas. Não sou candidato a prefeito porque, como diz o ditado, ‘é melhor ter um pássaro na mão do que dois voando’. As pessoas que realmente gostam de mim estão me incentivando a concorrer a uma vaga na Câmara”, declarou.
O político criticou o atual governo municipal e também mostrou descontentamento com o fato de o “amigo” Carlaile Pedrosa ter ajudado o vereador Weliton Sapão (PSB) nas eleições do ano passado. “Perdi muito voto por causa desse conchavo”, lamentou.
Em 1996, na última vez em que se elegeu vereador, Pinduca foi o mais votado da cidade, com 2.033 votos. Quando se candidatou a deputado estadual, ele sempre obteve boa votação na cidade. Em 2014, somente em Betim, foram 25.343, tornando-se o primeiro suplente de sua chapa.
Volta às origens
Para Pinduca, voltar a ser vereador, não mudaria a sua forma de trabalhar. “Eu sendo prefeito, vice, deputado ou vereador, a minha atuação será a mesma”, disse. “A Câmara precisa de uma renovação porque o povo está sofrendo. As pessoas não se sentem representadas pelos atuais vereadores. Além disso, não adianta o vereador bater no prefeito se ele também não faz nada para melhorar”, acrescentou.
Mas, apesar de buscar uma vaga como vereador, Pinduca poderá ainda reconquistar sua cadeira na Assembleia Legislativa. Isso porque alguns deputados estaduais de sua coligação devem sair candidatos a prefeito no ano que vem. Como ele é o primeiro suplente, caso algum deles se eleja, ele retorna ao antigo posto. “A coligação em que participei elegeu 21 deputados, e eu perdi a eleição por 45 votos (no total foram 58.041). Então, se alguém for eleito, eu sou empossado”, afirmou.
Pinduca ainda alega que seu problema com a Justiça já foi superado. Ele havia sido condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em 2008, por abuso de poder econômico. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2010. Porém, em 2011, o ministro Dias Toffoli, através de uma decisão provisória, devolveu a Pinduca seus direitos políticos.