A crise da economia nacional e a dificuldade de Betim em atrair novos investimentos continuam fechando postos de trabalho na cidade.
Em agosto, segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nessa quinta-feira (11), 579 postos de trabalho foram fechados no município. Foram demitidos 4.510 trabalhadores, contra 3.931 contratados.
O número é também inferior ao registrado em agosto de 2013, quando o saldo negativo foi de 199.
Em comparação com os meses anteriores de 2014, esse foi o pior resultado no ano na criação de empregos formais, superando os meses de maio e junho, que registraram saldo negativo de 515 e 577, respectivamente.
A indústria continua sendo o setor com os piores índices de criação de empregos, com saldo negativo de 477. A construção civil segue na segunda pior colocação, com 190 postos de trabalho fechados. Na contramão, o comércio foi a área que apresentou o melhor resultado, com a criação de 75 vagas de emprego formal, seguido pelo setor agropecuário, que fechou com dez novos postos de trabalho.
No acumulado do ano (janeiro a agosto), o saldo na criação de empregos na cidade é de -30 (foram 36.630 demissões, contra 36.600 admissões), número assustadoramente menor se comparado com o do mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 2.287 novas vagas.
Para o economista Vicente Mesquita, a tendência é que esse cenário continue. “A economia brasileira está em recessão técnica, e esses números devem continuar a cair nos próximos meses e, depois, se estabilizarem, mas em um patamar muito baixo”, afirmou.
Ainda segundo ele, o próximo ano deverá ser de ajustes. “Com o baixo poder de investimento, a inflação e a queda na criação de empregos, o próximo governo terá que tomar medidas profundas para que o país volte a crescer. Entretanto, esse crescimento só deve começar a ser significativo no fim de 2015, pois perdemos muito tempo”, disse.