A falta de realização de capina e de limpeza de ruas e lotes em diversas regiões da cidade fazem com que a população questione o comprometimento do poder público municipal no combate à dengue. Somente no primeiro mês deste ano, já foram registrados 552 casos na cidade, sendo 103 confirmados. Já em 2015 foram 21.434 casos confirmados da doença, o que transformou Betim na capital mineira da dengue.
Para betinenses, os números revelam descaso e falta de vontade política. “Estamos vivendo uma epidemia de dengue e a prefeitura parece não se preocupar. É preciso um trabalho mais eficaz não só dentro das casas das pessoas, por meio do trabalho dos agentes, mas, também, nas ruas, já que estão abandonadas. A limpeza das vias públicas e a capina quase inexistem aqui no bairro”, afirma Suelly dos Santos, 38, moradora do Imbiruçu. “Outro ponto que nos chama a atenção é a quantidade de carros velhos, abandonados a céu aberto. Quando chove, a água acumula, o que é um foco ideal para a dengue”, ressalta.
O problema se torna ainda maior quando o responsável pelo despejo de lixo é a própria administração pública. É o que acontece em um terreno com entulho acumulado na região do Teresópolis, onde é realizado uma vez por ano o tradicional Rodeio do Imbiruçu. Uma servidora municipal, que pediu para não ser identificada, admitiu que o município joga lixo no local. “Já temos poucas máquinas de limpeza para trabalhar. O que sabemos é que a administração do Teresópolis despeja lixo no local, o que não é correto”, afirma.
Já no Citrolândia a situação de descaso não é diferente. A reportagem flagrou montanhas de lixo nas ruas das região. O morador Gilmar Oliveira, 54, afirma que não sabe mais o que fazer. “Já fiz minha parte como cidadão, que é cuidar da minha casa. Tentei ajudar a prefeitura a realizar o seu trabalho, mas os responsáveis parecem não se importar. Fingem de bobos. Já liguei para a Zoonoses e expliquei que, aqui na minha rua, a Bandeirantes, a situação está complicada. Há água parada para todos os lados. Eles disseram que viriam, mas, até agora, nada”.
Flagrante
Os potenciais focos de dengue parecem passar despercebidos para a administração pública até mesmo quando estão na porta da prefeitura. É que a carcaça de um carro abandonado acumula água há dias na rua do estacionamento do próprio Centro Administrativo.
Segundo a prefeitura, compete à administração municipal a manutenção do uso regulamentar das vias públicas e que, no caso de carcaças e veículos abandonados, a competência constitucional não é atribuída ao município.
A prefeitura informou que cada regional dispõe de uma equipe de limpeza e que o cronograma de capina e limpeza das vias são determinados por cada regional. A prefeitura informa, ainda, que as equipes dos Agentes de Combate a Endemias realizam, diariamente, visitas domiciliares para inspecionar as casas e conscientizar a população.
Sobre o caso do terreno do Imbiruçu, a prefeitura negou que esteja descartando entulhos no local.
Casos registrados
A regional que apresentou maior número de casos da dengue, em 2015, foi a Alterosas, com 4.590, seguida pelo Imbiruçu, com 4.058 casos.