Pais denunciam a falta de vacinas na saúde de Betim

Com se não bastasse a crise do desabastecimento de medicamentos e de insumos básicos enfrentada na rede de saúde pública do município nos últimos meses, usuários denunciam agora que pelo menos três vacinas que estão em falta ou com o estoque baixo nas unidades de saúde da cidade. A reclamação foi feita por pais, que alegam ter percorrido diversos postos de saúde nesta semana, sem, contudo, conseguir vacinar seus filhos.

A situação é mais grave para os pais que procuram a vacina tetra viral, que protege a criança de sarampo, rubéola, caxumba e catapora. “Minha esposa procurou o atendimento do SUS para a minha filha tomar a tetra viral, só que, para conseguir imunizá-la, ela teve que ir a quatro postos de saúde e gastou mais de uma hora de carro para fazer isso. Imagina quem depende do transporte público?”, criticou o engenheiro Paulo Henrique.

A vacina contra a febre amarela, indicada para crianças a partir dos nove meses de idade, também está escassa na rede pública, como afirmou a dona de casa Ludmila Vieira dos Reis, de 17 anos. “Há dois meses fui até o posto de saúde do Homero Gil para vacinar contra a febre amarela e não encontrei a vacina. Até hoje, ninguém nos informou o motivo de estar faltando esse tipo de material na cidade. Daqui a alguns meses, minha filha mais nova, de 2 meses, irá precisar também e, se eu não conseguir para ela? Ela vai adoecer por falta de competência das pessoas responsáveis”, criticou.

Raquel Ketellyn, de 21 anos, disse que também precisou vacinar dois sobrinhos, de 3 e 2 anos, mas não encontrou as vacinas, no posto do bairro Bueno Franco. “Aqui sempre falta vacina e outras coisas como medicamento. A família fica revoltada, porque é um direito nosso, né? Não temos condições de bancar uma vacina, que é sempre muito cara. Então, se a rede pública não disponibiliza, nós ficamos sem vacinar as crianças e contando com a sorte de eles não adoecerem”, afirmou.

Outra vacina que estaria escassa é a BCG, que protege bebês contra tuberculose. Especialistas recomendam que ela seja ministrada logo após o nascimento ou ainda no primeiro mês de nascimento da criança. A dona de casa Jéssica Castilho, 24, precisou pagar para vacinar a filha, já que ela não encontrou a dose da BCG em Betim. “Há quatro meses precisei vacinar minha filha e não achei a vacina BCG em Betim. Como fiquei muito preocupada, precisei pagar particular, mesmo assim, só em BH eu conseguir encontrar. Acho uma falta de respeito com a população, que paga todos os impostos e não tem os direitos resguardados. Fiquei preocupada que ela pudesse contrair alguma doença”, finalizou.

Repasse reduzido

A Secretaria de Estado de Saúde informou que recebeu do Ministério da Saúde um comunicado sobre problemas de produção das vacinas BCG e tetra viral, que resultaram em envios em menor quantidade aos Estados. A secretaria declarou ainda que Betim recebeu, no dia 1º de outubro, 1.200 doses da vacina BCG e 3.800 doses da vacina de febre amarela e que o município não solicitou a vacina tetra viral para outubro.

A Secretaria Municipal de Saúde alegou que, “em outubro, o município recebeu somente metade da cota das vacinas BCG e febre amarela, e alegou que a vacina tetra viral não foi entregue”, declarou.
Já o Ministério da Saúde disse que as doses são enviadas pelo Ministério da Saúde mensalmente, e que cabe às secretarias estaduais realizar a distribuição aos municípios, de acordo com as necessidades locais.

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