Com mais despesa para pagar do que dinheiro para entrar, a prefeitura está reduzindo o atendimento à população. A nova “tesourada” da administração municipal atingiu o transporte sanitário da rede de saúde, que leva pacientes de suas casas para consultas e tratamentos em unidades de saúde.
Segundo funcionários do setor, a falta de recurso e a má-gestão foram os principais fatores. “A prefeitura disponibilizava cinco micro-ônibus, com 20 lugares cada um, todos os dias para atender a essas pessoas que não têm condições de se deslocar para ir consultar ou fazer tratamento. São pacientes obesos e cadeirantes, com dificuldades de locomoção. Atendemos cerca de 100 pessoas por dia e que agora ficarão desassistidas”, disse um funcionário do setor.
Ainda de acordo com ele, agora, o transporte sanitário será feito por duas vans e dois carros, reduzindo drasticamente o número de pacientes atendidos.
Na tarde de quinta-feira (4), a reportagem ligou para o setor que marca horário do transporte. A atendente disse que não tinha mais como “marcar o micro-ônibus porque o atendimento está suspenso”. “Não há previsão de quando vai voltar. Falta verba para abastecer os veículos”, informou a atendente.
Nesse mesmo dia, os micro-ônibus estavam na Estação SUS, localizada no Centro Administrativo, no Brasileia, sem transportar os pacientes.
Na peça orçamentária 2016, elaborada pela própria prefeitura, estão previstos R$ 5 milhões para a operacionalização do transporte sanitário da rede de saúde.
Dificuldade
Quem necessita do transporte sanitário já começou a sofrer com a falta dele. A aposentada Mercedes Leal, 66, tinha consulta marcada para avaliar um glaucoma nesta sexta-feira (5), no Icismep, no bairro Arquipélago Verde. Moradora do bairro Guarujá, ela ligou na central de agendamento para marcar seu lugar no micro-ônibus, mas não conseguiu. “Não consegui agendar horario e não me deram justificativa. Eu não tenho condições de ir a consulta, e fiquei muito triste com a negação. Betim, uma cidade tão rica, acontecer uma coisa dessas é muito triste. Nunca me faltou o transporte, mas, agora, não consigo mais”, lamentou.
A prefeitura respondeu que o transporte não foi interrompido, mas, sim, alterado, “a fim de que se tenha uma otimização do atendimento e dos custos do serviço”. “Todo paciente que tiver indicação médica que especifique a necessidade do transporte será atendido. A prioridade será para pacientes em tratamentos oncológicos e de hemodiálise, e para aqueles já cadastrados, que estão em tratamento contínuo”, diz a nota.