Pacientes são atendidos em condições desumanas

As condições desumanas nas quais são atendidas dezenas de pacientes do pronto-socorro do Hospital Regional se tornaram uma difícil realidade para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) do município. Não bastasse a falta de materiais e equipamentos na unidade, os funcionários estão cada vez mais sobrecarregados, já que, desde que a nova diretoria assumiu, o corredor da urgência e emergência passou a servir como enfermaria para receber dezenas de pacientes.

A situação precária, denunciada pelos próprios pacientes, foi flagrada nesta semana pela reportagem. Enfermarias sem ventilação, o que facilita a contaminação, demora para a realização de cirurgias, banheiro sujo utilizado por quase cem usuários para tomar banho, macas amontoadas, além de pacientes com doenças contagiosas no meio de pacientes ortopédicos e usuários internados ao lado de pias, foram apenas alguns dos problemas relatados pelos usuários.

A dona de casa Maria Aparecida Moura, 36, é uma das que reclamou da superlotação e do atendimento precário. Segundo ela, há mais 23 dias a mãe, uma senhora de 70 anos, que é hipertensa e tem diabetes, aguarda por uma cirurgia de clavícula. “Marcam a cirurgia, a gente cria expectativa, e desmarcam na última hora. Ela sente muita dor e dão dipirona para ela. Estou perdendo as esperanças. Meu único medo é que eu tire ela daqui em um caixão.”

Outra paciente, que não quis se identificar, reclamou das condições precárias do pronto-socorro. “O banheiro é longe e, até chegarmos lá, fazemos as necessidades na roupa. O constrangimento é demais. Homens e mulheres ficam no mesmo local e têm que tomar banho no leito, um perto do outro. Eles tentam tampar com uma divisória, mas não tampam nada, pois ela está toda rasgada. Fora que estou aqui há mais de dez dias, sem receber medicação e sem uma ambulância para poder me levar para outra unidade.”

Já uma usuária, que também pediu anonimato, disse que está há quase dez dias aguardando por uma cirurgia, no meio do corredor. “A gente fica junto com pessoas com outras enfermidades, arriscando de pegar mais uma doença. Os banheiros são sujos. Isso aqui está igual a um Carandiru, tem até assalto acontecendo durante a noite no armário das enfermeiras”, denunciou.

Internado há quase 20 dias aguardando por uma cirurgia no ombro, o motorista Wenderson de Moura, 24, reclama da demora das cirurgias na ortopedia. “O médico disse que não estão recebendo salário e que, por isso, não poderia fazer minha cirurgia. Não aguento ficar mais aqui. Muitas pessoas aqui estão sofrendo aguardando há dias por uma cirurgia.”

O profissionais do hospital reclamam das péssimas condições de trabalho e dizem que a superlotação agrava o problema. Uma técnica em enfermagem, que pediu anonimato, contou que o pronto-socorro foi batizado de “favelinha”. “São poucos profissionais para atender quase cem pacientes. É humanamente impossível. Não há limite para receber pacientes, mesmo não tendo estrutura para assistí-los. Fora as condições que eles ficam, que são desumanas.”

Resposta

A Secretaria de Saúde informou que o setor de Ortopedia está passando por reformulações, como a ampliação do quadro de cirurgiões ortopedistas – atualmente são 16, e estão sendo contratados mais quatro cirurgiões. “Devido aos altos índices de atendimento a politraumatizados, está sendo ampliando o atendimento para que ele ocorra de acordo com as necessidades do município e da região.”

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