O sofrimento dos pacientes que fazem hemodiálise no Hospital Regional vai muito além do que passar mais de dez horas por semana sentados em uma cadeira para ter o sangue limpo e filtrado por uma máquina. Não bastasse as más condições de tratamento em que eles afirmam estarem sendo submetidos, já que os procedimentos da diálise são feitos em poltronas quebradas e rasgadas, os pacientes agora denunciam a demora para implantar no braço deles as fístulas arteriovenosas no lugar dos cateteres no pescoço.
O cateter fica localizado na jugular do pescoço dos pacientes. Além de incomodar muito e não possibilitar uma hemodiálise tão eficiente quanto a fístula, ele traz riscos à saúde do paciente, pois pode ser facilmente infectado por bactérias, podendo levar a uma infecção generalizada do paciente. “Uma portaria do Ministério da Saúde estabelece que a colocação da fístula tem que ser feita, no máximo, após 45 dias do início da diálise. Mas, hoje, mais de 15 pacientes aguardam no hospital por essa cirurgia. Ela é feita no bloco cirúrgico da unidade, mas nunca há vaga para os pacientes fazerem o procedimento”, afirmou o presidente da Associação dos Pacientes Renais, Doadores e Transplantados de Betim, Valdemar Batista Freitas, 52, que também faz hemodiálise no hospital há anos.
Ainda segundo ele, todos os dias faltam materiais básicos de atendimento. “Nesta quarta (5) faltou álcool etílico e tiveram que usar álcool em gel. Tem dias que não tem gazes, algodão e até agulhas”, reclamou.
Sem vagas
Há três anos fazendo hemodiálise em uma unidade de saúde de Contagem, o aposentado Getúlio Henrique Martins, 56, que mora no bairro Alto das Flores, reclama da falta de vagas na Hemodiálise do Regional para atender pacientes de Betim. “Acho injusta essa situação. Enquanto várias pessoas que fazem tratamento no Regional hoje nem moram na cidade, eu tenho que acordar três vezes por semana, às 4h20 da madrugada, para fazer o tratamento em Contagem, mas só volto a tarde. Além de ser cansativo e desgastante, isso está me prejudicando. Tenho uma lojinha de locação de mesas de festas para ajudar no orçamento de casa e perco muito tempo nesse trajeto semanal. Há muito tempo eu pedi a transferência para o Regional, mas os funcionários sempre falam que não tem vaga”.
Para Valdemar Batista, a solução para acabar com o déficit de vagas no setor é a inauguração de mais uma ala, que vem sendo prometida há anos pela prefeitura. “Essa sala foi construída em 2012 e tem capacidade para receber até 200 pacientes por mês, mas, até hoje, não funciona”, disse.
Posicionamento
A Secretaria Municipal de Saúde informou que o Hospital Regional tem mantido normalmente o fornecimento de materiais básicos para o atendimento dos pacientes que realizam diálise. “Embora o hospital se empenhe em realizar as cirurgias de fístula arteriovenosa no menor tempo possível, a demanda por procedimentos cirúrgicos de urgência e emergência, além dos eletivos, é sempre crescente”.
Sobre a reclamação de Getúlio Martins, a pasta informou que existe um projeto para ampliação de vagas de atendimento em Hemodiálise. “Porém, devido às questões orçamentárias, não será possível executar a ampliação ainda este ano”.