Pacientes com câncer têm que esperar meses por exame

Apesar de desde 2013 uma lei federal estabelecer um prazo máximo de 60 dias para que pessoas com câncer iniciem o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – o que inclui diagnóstico, cirurgia e sessões de químio ou radioterapia, conforme a indicação de cada caso –, o cumprimento dessa legislação está distante da atual realidade vivida por quem que depende da rede de saúde pública de Betim. Segundo denúncia feita por servidores municipais, há dois meses os exames de tomografia computadorizada, essenciais para dar continuidade ao tratamento de pacientes que precisam fazer radioterapia, não estão sendo feitos pela Secretaria de Saúde.

“A prefeitura tem um contrato com uma empresa especializada nesse tipo de exame, mas essa empresa se recusa a dar continuidade no serviço, com medo de que a prefeitura não a pague, já que ela decretou calamidade financeira. Como o impasse não foi resolvido, desde abril esse exame não está sendo feito. O problema é que a rapidez na detecção e no tratamento do câncer é decisiva para a cura do paciente. Se eles esperarem muito para fazer a radio, todo o tratamento pode ser prejudicado e o câncer voltar ainda mais agressivo. É um risco para a vida desses pacientes, que deveriam ter prioridade no atendimento”, criticou uma servidora.

Diagnosticada com câncer no pâncreas há um ano, a aposentada Conceição Vieira dos Santos, 69, é uma das pacientes da rede que aguarda por essa tomografia. “Minha mãe fez a químio e, segundo a médica, agora tem que fazer a radioterapia. No dia 2 de maio, fizemos o pedido, mas, até agora, não nos ligaram para marcar. Disseram que o exame está demorando para ser feito. Ela ficou muito mal e chegou a pesar 33 quilos. Depois da químio, melhorou muito, mas tenho medo que ela volte a piorar. O câncer não espera. Esses pacientes têm que ter prioridade”, disparou o filho de Conceição, o soldador Décio Zacarias, 34.

Posicionamento

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o prestador de serviço para exames de tomografia computadorizada rompeu contrato com a pasta. “A secretaria está em negociação com outro prestador para que o atendimento seja normalizado”.

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