Obras inacabadas jogam pelo ralo R$ 32,5 milhões

Betim jogou pelo ralo nas últimas duas gestões municipais milhões em recursos públicos em obras inacabadas. Nesta semana, a reportagem percorreu pelo menos quatro elefantes brancos que, apesar de terem custado pelo menos R$ 32,5 milhões dos cofres municipais, estão abandonados: um total desrespeito e descaso com os betinenses que pagam corretamente seus impostos e que sofrem com o abandono da saúde, com a falta de políticas públicas sociais e com a falta de investimentos no esporte e na cultura.

Pichações nas paredes, muito mato, vidros quebrados e estruturas em gesso desabando. Esse foi o cenário de completo abandono encontrado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), localizada no bairro Bom Retiro. No total, mais R$ 3,5 milhões foram gastos no empreendimento. A inauguração aconteceu no fim de 2012 pela ex-prefeita MDC (PT), mas a unidade nunca funcionou. E o pior: por ter sido abandonado, o local foi invadido por marginais, que destruíram parte da sua estrutura.

O resultado desse abandono é mais dinheiro público a ser gasto. A previsão, segundo o próprio secretário municipal de saúde, Rasível dos Reis, é que mais de R$ 1 milhão precisarão ser investidos para consertar o que foi depredado e equipar a unidade. A promessa do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) era de que os trabalhos começassem ainda neste ano, mas já estamos no segundo semestre de 2016, e nada foi feito.

Outra obra sonhada há anos pelos betinenses que também se transformou em um espaço fantasma é a rodoviária. A estrutura foi toda construída pelo grupo de empreendedores do Partage Shopping como forma de contrapartida pela vinda do centro de compras a Betim. A inauguração aconteceu há quatro anos mas, apesar de o investimento ter chegado a R$ 20 milhões, o local virou um mero ponto de ônibus e o resultado desses anos de abandono é uma estrutura depredada, com teto caindo, janelas com vidros destruídos e banheiros e bebedouros sujos e danificados.

“Achamos que iam passar os ônibus de outros Estados por aqui, mas acabou que ficou tudo inacabado. Colocaram esses ônibus municipais circulando aqui só para falar que não está parado. É só mais um descaso e dinheiro público jogado fora”, reclamou a costureira Elenilda Menezes.
Mais um exemplo de desrespeito é o Complexo Esportivo, inaugurado em 2013, no bairro Petrovale.

Pelo menos R$ 3,5 foram gastos no espaço que, por ter sido abandonado, virou alvo do vandalismo. No auditório, quatro aparelhos de ar-condicionado, que custaram cerca de R$ 12 mil cada, estão estragados. Nos outros cômodos, o cenário não é diferente: banheiros imundos e sem torneiras, além de salas vazias e com luzes acessas, mais um desperdício de verba municipal. Sem conseguir dar uma destinação ao local, a prefeitura deixou que uma ONG realize algumas atividades no centro, contudo, o espaço continua depredado.

O último elefante branco visitado foi o Teatro Municipal, localizado em frente à Praça Milton Campos. O projeto, orçado em R$ 15 milhões, iria abrigar uma grande sala para apresentações teatrais e shows. As obras, iniciadas em 2011, foram interrompidas um ano depois, mas nunca mais foram retomadas. Agora, quem passa pelo local, vê apenas um lote tomado pelo mato, com estruturas milionárias de metal enferrujando por causa do tempo. “Você conhece a qualidade de vida de uma cidade por sua cultura. Quando você olha para essa obra, jogada às traças, você percebe qual é a realidade de quem mora em Betim”, disse Gilbert Diniz, diretor de teatro.

Posicionamento

A prefeitura informou em nota que as adequações exigidas na rodoviária devem ser realizadas pelo DER e pelo Partage, mas o DER havia declarado que “as realizações dos ajustamentos são de responsabilidade da prefeitura” e o Partage já informou que “a operacionalização é de responsabilidade da gestão pública”.

Sobre o Centro Esportivo do Petrovale, a prefeitura afirmou que o espaço já está em funcionamento. A administração alegou também que o processo de tomada de preço para a conclusão das obras internas da UPA Norte está em fase de conclusão. Já sobre o teatro, justificou que as obras foram interrompidas por causa de irregularidades que teriam sido feitas pela gestão anterior e que teria encaminhado representação ao Ministério Público.

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