Número de escolas ocupadas triplica, e alunos fazem ato

As principais avenidas do centro de Betim receberam na tarde da última quinta-feira (10) centenas de estudantes em um ato pacífico contra a proposta de reforma do ensino médio feita pelo governo federal em setembro deste ano e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 – antiga PEC 241, que cria um teto para os gastos públicos da União. O protesto faz parte do movimento nacional de ocupação de instituições de ensino do país e que, até o momento, teve a adesão de sete escolas estaduais na cidade, mais que o triplo que na semana passada. A estimativa é que cerca de 5 mil alunos estão sem aula.

Com o apoio de lideranças religiosas, sindicatos e entidades sociais do município, o protesto na quinta (10), não teve como bandeira somente a discussão das PECs. Desta vez, os manifestantes também carregavam faixas, cartazes e ecoavam palavras de ordem contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e exigiam a saída do presidente Michel Temer (PMDB) do governo.

“Também somos contra as medidas do governo e, por isso, decidimos apoiar os alunos e ajudar eles a organizar as ocupações nas escolas”, disse Kenedy Alessandro, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Betim.

Uma das estudantes que aderiu o movimento, de 16 anos, e que terá o nome preservado por se tratar de uma menor, explicou que decidiu aderir à causa porque as propostas do governo federal vão afetar não só os estudantes. “Elas vão afetar toda a sociedade, principalmente, as pessoas de classe média e baixa. Não concordamos com o corte nos gastos públicos e a reforma do ensino médio”.

Ocupações

A primeira escola ocupada em Betim foi a Tito Lívio, no bairro Chácara, cujo movimento se iniciou no dia 30 de outubro. Logo depois, no dia 3 de novembro, foi a vez da Cecília Meireles, no bairro Laranjeiras.

Nesta semana, as escolas estaduais Nossa Senhora do Carmo, no Salomé, Juscelino Kubitschek de Oliveira, no Bueno Franco, e Conselheiro Afonso Pena, no Brasileia, e Cândido Portinari, no bairro Amarantes, foram ocupadas. A última instituição a aderir o movimento foi Doutor Renato Azeredo, no Betim Industrial.

Posicionamento

A Secretaria de Estado de Educação informou que tem orientado as Superintendências Regionais de Ensino e direções das escolas a atuarem na defesa dos direitos dos estudantes tanto no sentido de manterem as escolas funcionando quanto de garantirem a segurança das manifestações. “A orientação é pela convivência harmoniosa entre as ocupações e o funcionamento das escolas.

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