O número de eleitores que estão sem emprego e em busca de uma recolocação no mercado de trabalho dobrou em relação a 2012, quando ocorreram as últimas eleições municipais. É isso que retrata a pesquisa realizada pelo Instituto DataTempo/CP2, encomendada pela Sempre Editora e registrada na Justiça Eleitoral com o número MG-02978/2016, que começou a ser divulgada pelo jornal O Tempo Betim na semana passada.
O levantamento, que ouviu 1.300 entrevistados entre os dias 13 e 19 de agosto, traça um perfil atual do eleitorado betinense, detalhando idade, sexo, região onde mora, escolaridade, renda mensal familiar, ocupação e religião.
Um dos dados que mais chama atenção nesse perfil é o crescimento de 127,9% no número de eleitores que estão desempregados em relação a pesquisa realizada pelo mesmo instituto em 2012. Nas eleições municipais de quatro anos atrás, 6,5% dos entrevistados pelo levantamento disseram que estavam fora do mercado de trabalho. Agora, esse número pulou para 14,8%.
Consequentemente, o total de eleitores com carteira assinada também caiu em relação as eleições de 2012. Há quatro anos, 39,2% dos entrevistados pela pesquisa disseram na época que estavam empregados. Agora, esse número reduziu para 23,2%.
Segundo o sociólogo Antônio de Pádua, o aumento do número de pessoas sem emprego está sendo identificado em várias pesquisas realizadas pelo instituto nas principais cidades mineiras. “Isso demonstra como a crise econômica tem afetado os municípios, especialmente Betim. O número de autônomos também cresceu 100% na cidade, se comparado com o levantamento realizado pela CP2 em 2012, o que também mostra os reflexos dessa situação de crise pela qual passa Betim”, afirmou.
Com relação à renda familiar, a maioria dos entrevistados (44,8%) disseram que ganham entre dois e cinco salários mínimos. Já 33,1% disseram que a remuneração da família é de até dois salários mínimos. O número de famílias com essa renda cresceu 30,8% em relação a pesquisa de 2012, o que demonstra uma queda no poder aquisitivo do betinense.
Idade e sexo
Ainda segundo o levantamento, a maioria do eleitorado betinense é formada por mulheres (52,3%), cenário diferente de 2012, quando a maior parte dos entrevistados eram homens.
A faixa etária com mais eleitores continua sendo a formada por pessoas que possuem entre 25 anos e 34 anos.
De acordo com a pesquisa, a maioria dos eleitores continua concentrada na região do Alterosas (21,7%), seguido do Imbiruçu (16,8%), centro (13,8%), Norte (10,8%) e Teresópolis (9,8).
Religião
Outro dado que chama a atenção na pesquisa é o crescimento do número de eleitores evangélicos. Dos entrevistados pela pesquisa, 43,8% disseram ser da religião protestante, um aumento de 18,3% em relação ao levantamento de 2012. Já o número de católicos caiu, passando de 53,1% há quatro anos para 43,6% nas eleições deste ano.
Pelo levantamento, 9,2% dos entrevistados disseram não ter nenhuma religião, enquanto 1,2% afirmou que são espíritas.