Médicos denunciam que UAIs estão sucateadas

Uma cena chocante registrada por funcionários da Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Guanabara mostra a precariedade da saúde no município. Um paciente em isolamento respiratório foi visto internado dentro do banheiro da unidade. Além disso, médicos garantem que faltam remédios básicos para parada cardíaca e combate a infartos, além de macas, monitor para acompanhamento de batimentos cardíacos, estetoscópio (instrumento que serve para dar amplitude aos sons corporais) e até glicosímetro (usado para medir a concentração de glicose no sangue).

Por causa desses e outros problemas, a categoria promete paralisar as atividades por 24 horas nesta sexta-feira (6), na UAI Guanabara e na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Dom Bosco. A decisão foi tomada no último dia 29, na sede do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), em Belo Horizonte. Já na próxima terça (10), o atendimento deverá ser prejudicado na UAI Guanabara.

“A situação só piora nas unidades de saúde a cada dia. A prefeitura vem, pinta as paredes, troca algumas cadeiras e finge que está tudo bem, quando, na realidade, não está. Nós, profissionais da saúde, trabalhamos desmotivados. Falta tudo, inclusive o básico para a execução do nosso trabalho”, disse um médico, que pediu para não ser identificado por medo de represálias.

Outro profissional reclama de que na UAI Guanabara o aspirador funciona precariamente e que o mobiliário está sucateado. O médico critica ainda a redução no número de profissionais, o que impacta diretamente o atendimento. “Até o fim de janeiro, eram três clínicos durante a noite, e, agora, são dois. Com isso, a média de espera por um atendimento, que antes era de aproximadamente duas horas, dobrou. Nesta semana, eu e uma colega de trabalho tivemos que atender um caso grave na sala de urgência, e os demais pacientes que estavam na recepção começaram a se revoltar. Muitos desistiram e foram embora para casa”, completou o profissional.

A dificuldade para transferir pacientes para o Hospital Regional também é criticada pela categoria. “Pacientes que deveriam ficar até 24 horas internados nas UAIs chegam a ficar dez dias, por falta de vagas no Hospital Regional, que sempre está superlotado. Isso quando eles não morrem”.
Outro ponto é a falta de segurança. “Não há portaria. Aqui, entra e sai quem quer, quando quer. Outro dia, um técnico em enfermagem teve um revólver apontado na cabeça por um paciente que queria atendimento. Um ex-gerente também já foi ameaçado de morte”, lembrou um médico.

Salário defasado
A defasagem no salário também é uma reclamação da categoria. Na semana passada, o vereador Vinícius Resende afirmou em entrevista que, levantamento feito em dezembro de 2014 pelo Sinmed-MG revelou que o salário de um médico de Betim em início de carreira corresponde a 60% do de um mesmo profissional da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que hoje é de aproximadamente R$ 5.000. “Isso é uma falta de respeito com a categoria”, disse o vereador.

Resposta

Às 19h30 de quinta-feira (5), a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informou que o juiz da 3ª Vara Cível, Lauro Leal, considerou a paralisação ilegal, afirmando que os servidores devem manter, de forma integral, o atendimento e os serviços de saúde à população.

Já um dos diretores do Sinmed-MG, César Santos, reafirmou que a paralisação estava confirmada para partir das 7h, pois o jurídico do sindicato não havia sido notificado até aquele horário.

Sobre o caso do paciente no banheiro, a assessoria negou e disse que “ele estava, na verdade, em um quarto com banheiro. O local é específico para pacientes em isolamento respiratório”.

A pasta também ressaltou que o secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, se reuniu com representantes do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), na sede do Conselho Municipal de Saúde, na quinta (5), ocasião em que “apresentou ao sindicato os pareceres sobre os questionamentos e reivindicações da categoria que foram enviados ao Sinmed no dia 29”. “O governo aguarda, agora, um posicionamento do sindicato”, completou.

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