Foi através de um comentário, em uma rede social, sobre a violência em Betim, que atinge níveis jamais registrados na história do município – só no início deste ano, foram contabilizados 46 assassinatos –, que a ex-prefeita da cidade Maria do Carmo Lara (PT) causou polêmica ao insinuar que a culpa da escalada da criminalidade é do atual prefeito, Carlaile Pedrosa (PSDB).
De acordo com o comentário feito por ela e registrado após uma postagem do jornalista Closé Limongi, na segunda-feira (9), o tucano teria contado com a ajuda de “bandidos” para conquistar a cadeira de prefeito. “Betim viveu (a) eleição (de) 2012 com setores da polícia dando cobertura para bandidos que eram cabos eleitorais do candidato que foi eleito. Agora, cabe à população cobrar ação do prefeito da cidade”, disse a ex-prefeita.
O texto de MDC, sua primeira manifestação pública após perder as eleições de 2014, quando foi candidata a uma vaga para a Câmara de Deputados, em Brasília, sucedeu outros comentários de moradores da cidade e também de militantes do PT e de aliados do PSDB.
Para o ex-gerente regional do Imbiruçu Ronievon Fonseca, o Neguinho, MDC ofende a população e as pessoas que votaram em Carlaile para prefeito. “A ex-prefeita mostra mais uma vez falta de respeito com o eleitor de Betim. (Para) chamar 70% do eleitores de bandidos tem que ter muita coragem”, disse ele em uma rede social.
A reação por parte da petista Rosa Vargas foi imediata. “A Justiça Eleitoral é que deveria zelar para que o processo ocorresse dentro da normalidade da democracia, mas, como sabemos, a Justiça neste país tem lado. Veja o caso da compra de votos dos carroceiros”, disse.
Aliados do prefeito também partiram para o ataque: “O ônus da prova é de quem acusa. Acusar de forma generalista é um ato de leviandade. Ainda mais acusando instituições policiais do Estado”, comentou Ubiratan Moreira.
O jornalista e ex-policial militar Gilberto Santos foi quem arrematou a discussão. “Espere sentado (para ver) a Justiça obrigar Maria do Carmo Lara a provar as acusações que faz contra Carlaile Pedrosa ou vice-versa, pois já se tornou comum em Betim, em todo fim de mandato, um acusar o outro de roubo, e, (depois que) passam os quatro anos de mandato, não acontece nada, e ambos seguem felizes e poderosos se revezando há mais de 20 anos na ocupação do trono”, disse.
A reportagem tentou conversar com MDC. Apesar de reiterar sua declaração, ela alegou não conversar. “Coloquei (a postagem) em um lugar que eu me senti à vontade para falar. Mantenho o que eu disse, mas não quero falar para o jornal. A polícia tinha que ter apurado na época e não apurou”, afirmou MDC.
O vereador Eutair dos Santos (PT) afirmou que a ex-prefeita tem motivos para falar o que disse. Ele, porém, não quis revelar quais seriam eles.
Closé Limongi, autor do post que originou toda a discussão, encerrou a polêmica: “A ex-prefeita Maria do Carmo fez do seu comentário um desabafo e acabou sendo irresponsável. “Dá a entender que os bandidos que estão aí praticando crimes, como saidinha de banco, explodindo caixas eletrônicos, matando e roubando são cabos eleitorais do prefeito Carlaile. Ela tinha que ter denunciado isso na época das eleições”.
A reportagem tentou falar por e-mail com a assessoria de imprensa do prefeito Carlaile Pedrosa sobre as declarações de MDC, contudo, até o fechamento desta edição, eles não haviam se pronunciado.
Alfinetou a polícia
Maria do Carmo também alfinetou a polícia de Betim em seu comentário feito na rede social. Segundo a petista, setores da polícia teriam dado “cobertura para bandidos que eram cabos eleitorais (nas eleições municipais de 2012) do candidato que foi eleito”, disse em rede social.
Para Júlio Cézar, comandante do 33º Batalhão da Polícia Militar de Betim na época, as declarações da ex-prefeita podem estar associadas a um fato ocorrido na Colônia Santa Isabel, em 2012, durante a campanha eleitoral. “O pessoal do PT brigou com o pessoal do Carlaile. Daí, os militantes petistas afirmaram que a polícia, além de ter protegido os militantes tucanos, teria agredido um militante do PT. Na época, foi até aberto um inquérito para averiguar a ação dos policiais, mas não sei qual o resultado da apuração pois, logo depois, saí do comando da Polícia Militar. Por isso, acredito que as declarações dela possam estar relacionadas a isso, mas não posso confirmar”, disse.
Júlio Cézar referiou-se a uma carreata realizada por militantes do PT no dia 7 de setembro de 2012. Na época, o funcionário público Célio Fernandes disse que, após defender seu candidato (Carlaile), ele foi ameaçada por uma militante petista. Ele alegou ainda que teria levado um soco de outro militante do PT, Thiago Flores. Na confusão, a polícia foi acionada. Flores e a mulher foram detidos, já que, segundo os militares, ele teria resistido à prisão.
Tiago negou a agressão e informou que, após a saída de Júlio César do comando do Batalhão, o caso foi arquivado.