A prefeitura vai mesmo fechar a Maternidade Público Haydé Espejo Conroy, no Imbiruçu. O anúncio foi feito pela Secretaria Municipal de Saúde na segunda-feira (28), após reunião entre representantes da pasta, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), do Conselho Municipal de Saúde e do Ministério Público. No entanto, ainda não há data para isso acontecer.
Isso porque, primeiramente, a prefeitura tem que readequar e fazer obras dentro do Hospital Regional para tentar transferir os cerca de 300 partos mensais que são realizados atualmente na maternidade do Imbiruçu.
“Porém, após discussões e negociações mediadas pela SES-MG, ficou acertado que o município fará isso somente após adequações de estrutura, equipe e redefinição do modelo assistencial na maternidade do Hospital Regional para garantir atenção de qualidade. Ao final das adequações será feita visita pela comissão de acompanhamento que deverá avaliar e validar as novas condições para o atendimento”, declararam as secretarias.
Com a junção das unidades, segundo a prefeitura, serão 57 leitos maternos no hospital, porém o Regional é mais suscetível a bactérias e outras infecções, segundo funcionários.
O plano de fechamento da maternidade e de outras cinco unidades de saúde foi anunciado no mês passado pelo secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, alegando queda de arrecadação municipal. Com isso, a pasta teria que cortar R$ 45 milhões e iria desmantelar as estruturas de três Unidades Básicas de Saúde (UBSs Paulo Camilo, Campos Elíseos e Guanabara) e duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs Alterosas e Guanabara), além da redução de equipes do Programa Estratatégia Saúde da Família (de 85 para 78).
Após pressão popular e de políticos e com a ajuda financeira do Estado, a prefeitura voltou atrás e se comprometeu, no último dia 17, a manter as estruturas pode 30 dias. Após a reunião da última segunda (29), ficou decidido que as UPAs e UBSs não serão fechadas até, pelo menos, junho.
A SES também irá cofinanciar o Hospital Regional. Por ano, a pasta repassará ao município R$ 12 milhões através do Fortalecimento e Melhoria da Qualidade dos Hospitais Públicos do SUS (Pro-HOSP). Além disso, R$ 5 milhões imediatos serão transferidos para a prefeitura investir na saúde, totalizando R$ 17 milhões.
Outra ação do Estado será regionalizar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), aumentando o repasse estadual para Betim. No entanto, não foi divulgado qual o valor para o Samu. “Esse anúncio feito pela prefeitura não está claro. Disseram que vão transferir a maternidade pro Regional, após adequações. Quais serão? Vão fazer o quê? Isso leva tempo, pois precisa melhorar o pré-parto, o acolhimento porque, hoje, o hospital não tem condições de receber mais 300 partos por mês”, disse a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Saúde (Sind-Saúde) de Betim, Berenice Freitas.
Outro ponto obscuro, segundo Berenice, é a “reestruturação da rede de urgência” após a inauguração da UPA Norte, prevista para junho. “O que a gente entende como reestruturação é fechamento de unidades. Vão fechar as UPAs após abrirem a Norte? Isso não está claro”, criticou.
Funcionários
Quem trabalha na maternidade do Imbiruçu ficou revoltado com o fechamento do local. “Para aumentar os leitos da maternidade do hospital, vão diminuir os das clínicas médicas e cirúrgicas. Essa matemática vai resultar em desassistência desses dois setores. Além disso, mesmo com dinheiro vindo do Estado, vão fechar a maternidade. É lamentável”, afirmou a pediatra Gilce Moura.
O obstetra Eduardo Silva também lamentou. “Nós conquistamos esse atendimento humanizado ao longo do tempo, que não está sendo respeitado. Até o ambiente do Regional é desfavorável, além da falta de estrutura”, completou.
Tanto a SES quanto a prefeitura manifestaram apenas o que publicaram na nota.