“Ela era a mulher da minha vida”, foi o que o vigia Juliano Ribeiro Pinheiro, de 36 anos, disse nesta terça-feira (20) sobre esposa, a garota de programa Eliane Braz da Silva, de 34, assassinada com uma agressão na cabeça, no dia 04 de março deste ano, no bairro Jardim Petrópolis.
Pouco tempo depois, no entanto, a declaração de amor deu lugar ao silêncio, quando o suspeito, apontado pela Polícia Civil como autor do crime, foi questionado pela imprensa sobre qual sentimento ele tinha em relação a morte da companheira.
“Que sentimento? A mulher morreu, vou guardar sentimento de quem?”, disse Pinheiro, em tom de voz nervoso, que prevaleceu durante toda a entrevista, na Delegacia de Homicídios, no bairro Bonfim, região Noroeste da capital. O amor pela mulher com quem era casado há sete anos e com quem teve um filho, de seis, parecia ter desaparecido.
Embora negue ser o autor do homicídio, para a Polícia Civil está claro que Pinheiro matou a mulher, motivado por ciúmes da companheira. “Ele confessou para um familiar que matou a vítima. Além disso, o telefone dele foi rastreado e mostrou que ele esteve no local onde o corpo foi encontrado no dia do crime. Temos ainda uma prova concreta que é o sangue da vítima no banco traseiro do carro do casal”, explicou o delegado Otávio de Carvalho da Delegacia de Homicídios de Betim. Pinheiro foi preso no último dia 13. “Ela sumiu, apareceu morta e estão jogando a culpa em mim. Estou com a consciência tranquila” finalizou o vigia.
Localização. Inicialmente, Eliane foi dada como desaparecida pela família dela. O corpo da vítima foi encontrado às margens da BR–262, na zona rural de Mateus Leme, também na região metropolitana, no dia 31 de março. “O corpo foi encontrado bastante desfigurado, porque só foi localizado um mês depois, por um transeunte que passava pelas imediações e notou o cheiro desagradável”, disse o delegado.
Suspeito tinha histórico de agressões
Desde o desaparecimento de Eliane Braz da Silva, o vigia Juliano Ribeiro Pinheiro já era apontado pela família da vítima como principal suspeito pelo crime. Os relatos de violência contra a esposa desde 2011 fez com que a Polícia Civil também desconfiasse de Pinheiro.
“O companheiro da vítima já tinha um histórico muito grande de agressões contra a profissional do sexo, que se intensificou no início deste ano. São ameaças, agressões, lesão corporal doméstica. Por várias vezes, ele a ameaçou com um facão. Em certa ocasião, ele ateou fogo contra o corpo dela”, disse o delegado Otávio de Carvalho.
De acordo com Carvalho, o motivo para tanta violência seria a não aceitação para o término do casamento, de sete anos. “Ele era um homem muito possessivo, agressivo e ciumento. O suspeito não aceitava que ela terminasse o relacionamento, que era o desejo dela”, disse o delegado.
Segundo Pinheiro, atos de covardia contra mulheres são comuns em qualquer relacionamento amoroso. Para ele, a convivência com a esposa era “de boa”. “Isso aí é coisa de casal. Todo casal briga. É tanto que foi ela quem retirou a queixa”, disse. O suspeito negou ter ateado fogo no corpo da vítima. “Eu tenho duas tatuagens com o nome dela no meu corpo”, declarou o homem, como se isso fosse alguma prova de amor.