Familiares da paciente Isadora Farias da Costa, 23, que estava grávida de oito semanas e quatro dias, acusam o Hospital Regional de Betim de negligência após ela perder o bebê. No desespero por causa da demora no atendimento, o marido dela, Walisson Maciel, 20, pegou uma cadeira e a jogou no vidro do pronto-socorro, quebrando uma janela do setor.
Mas, até isso acontecer, a família passou por um martírio para conseguir atendimento para Isadora. Tudo começou na quinta-feira (26), quando ela começou a ter sangramento. A grávida foi para a Maternidade Pública, no Imbiruçu, e eles a mandaram para o Regional. Na segunda-feira (31), ela chegou ao hospital ainda sangrando. “O médico que a atendeu disse que ela estava tendo um princípio de aborto, fez o exame do toque e a mandou ela ir embora para casa. Não fez nada, nem ultrassom, nem recetou remédio nem pediu internação. Inclusive, o pedido de ultrassom tinha sido passado na maternidade para ser feito no Regional, mas também não fizeram”, disse.
Ainda segundo o marido da paciente, na terça-feira (31), eles voltaram para o Regional. Chegaram ao local às 7h e, até, as 10h30 não haviam sido atendidos. Por isso, no desespero, ele quebrou o vidro de uma janela do pronto-socorro. “Ela estava com muita dor, não conseguia nem andar direito, e estávamos esperando muito. Ninguém dava nenhuma satisfação. Então, me descontrolei e peguei a cadeira. Aí, quando fiz isso, apareceu um médico na hora para atender. Foi preciso uma medida extrema para sermos atendidos”, completou.
A irmã de Isadora também ficou revoltada com a situação. Segundo ela, houve descaso no atendimento. “Para mim, houve negligência médica. Como que você atende uma grávida que estava sangrando e a manda para casa? Por que se ela tivesse passado mal de repente e abortado em casa sem procurar atendimento, seria uma coisa, mas ela veio para o hospital e foi atendida. Por que não pediram para ela fazer o ultrassom ontem (dia 30)”, criticou a irmã, Adriana Marçal, 30.
Segundo ela, a família está desolada. “Foi um filho planejado”, disse.
Lotação
Além da demora no atendimento, quem precisa do Hospital Regional sofre com a superlotação. Na tarde de terça-feira (31), a reportagem esteve na unidade e constatou o problema. O corredor do pronto-socorro estava lotado, com pelo menos dez pacientes em macas, porque não havia leitos nos quartos. A secretária Ana Maria dos Santos, 35, estava esperando a tia dela. “Os profissionais estão até atendendo bem, mas não dão conta, por causa da demanda e da falta de espaço. Betim já passou da hora de ter um hospital próprio. É muito humilhante pagarmos tantos impostos e sermos atendidos no meio do corredor”, contou.
A diarista Antônia Salviano, 31, foi levar o filho para o pronto-socorro porque ele caiu e machucou o braço. “Levou mais de duas horas para sermos atendidos. Está muito cheio, tem várias pessoas nos corredores”, disse.
Resposta
Procurada, a direção do Hospital Público Regional de Betim (HPRB) informou, em nota, por meio de sua assessoria, que a paciente Isadora Faria Costa, 23, deu entrada na unidade de saúde na última segunda-feira (30). “Na ocasião, ela apresentava início de gestação com pouco sangramento. Realizado o atendimento clínico por obstetra, foi solicitado um ultrassom, exame ao qual a paciente foi submetida na terça-feira (31). Após o exame, constatou-se que a paciente sofreu aborto espontâneo, com oito semanas de gestação”, declarou.
A direção do Regional também explicou na nota que o hospital prestou toda a assistência e que os procedimentos médicos necessários foram adotados pela unidade.