Governo fecha restaurantes e não paga trabalhadores

Milhares de betinenses foram surpreendidos na última segunda-feira (25) com o fechamento antecipado de cinco dos seis restaurantes populares de Betim – Alterosas, Citrolândia, Imbiruçu, PTB e Teresópolis. A interrupção do principal programa social do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), implantado por ele, em 2004, no seu primeiro mandato à frente da prefeitura, aconteceu quatro dias antes do anunciado pela atual administração – o fechamento estava previsto para o dia 29 de abril. Com isso, além da demissão de cem trabalhadores, 35 mil refeições mensais deixarão de ser fornecidas a população. Só o restaurante do centro permanecerá aberto.

Não bastasse retirar benefícios sociais da população, ao fechar cinco restaurantes populares, a prefeitura também não quitou o salário referente ao mês de março de 33 funcionários que atuavam nas unidades Citrolândia e Imbiruçu. A denúncia, feita pelos próprios trabalhadores à reportagem, foi confirmada nesta semana pela Missão Ramacrisna, entidade que gerencia o convênio responsável pelo funcionamento dos restaurantes.

De acordo com a instituição, os funcionários do Citrolândia e do Imbiruçu teriam que ter recebido o salário de março até o quinto dia útil deste mês de abril, contudo, o pagamento não teria sido feito por falta de repasse do governo.

O aviso dos trabalhadores dessas duas unidades vence nesta sexta-feira (29), mas o acerto também será realizado somente quando a atual administração realizar o repasse de verba, informou a Ramacrisna.

Desmantelamento

Diante da denúncia da interrupção do serviço antes do previsto, a reportagem percorreu as cinco unidades e constatou que todas realmente foram fechadas na segunda (25). No bairro Jardim Alterosas, funcionários da prefeitura foram flagrados retirando equipamentos e maquinários do restaurante.

No bairro PTB, moradores inconformados lamentaram o fim do serviço. É o caso da administradora Katheryne Frantiesca, 30, que almoçava todos os dias no restaurante da região, junto com o marido e a filha de seis anos. “Achei péssimo a prefeitura fechar o restaurante do PTB. Muitas pessoas da região almoçavam lá. Minha família mesmo é uma delas. A gente gastava R$ 240 por mês, agora, pelos meus cálculos, vamos pagar mais de R$ 600. Infelizmente, trabalhamos o dia inteiro, moramos longe do trabalho e não temos como fazer o almoço. Estou sem saber o que fazer, mas acho que, se a prefeitura quer economizar, que faça isso de outra forma. O que não é certo é acabar com os projetos sociais”, disse.

Desempregado, Marcos Antônio Fernandes, 53, que mora ao lado do restaurante Imbiruçu, criticou o fechamento. “Quando o almoço era R$ 3, eu ia sempre no restaurante do Imbiruçu. Mas, depois que subiu o valor para R$ 4, ficou mais difícil, porque estou sem emprego. Mas é muito ruim o que fizeram com a população. Muitas pessoas serão prejudicadas”, ressaltou.

Com o desmantelamento do programa social, o governo espera conseguir fechar as contas da prefeitura no fim do ano e, assim, tentar se livrar de eventuais problemas na Justiça, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo a gestão municipal, serão economizados R$ 4,2 milhões por ano.

Por e-mail, a assessoria da prefeitura disse que a antecipação do fechamento ocorreu devido ao cumprimento do aviso prévio dos trabalhadores. Sobre os equipamentos e maquinários das unidades, ressaltou que, inicialmente, eles foram levados para o galpão de patrimônio da administração municipal e, depois, serão doados para as secretarias municipais, conforme as prioridades.

A Prefeitura de Betim informou ainda que os pagamentos dos funcionários serão quitados na próxima segunda-feira (2).

Adicionar comentário

Este espaço é fornecido para que os internautas possam expressar suas opiniões sobre o artigo postado. Para outros comentários clique aqui.


Código de segurança
Atualizar

transparente