A demora do governo municipal em iniciar a negociação com as entidades representativas do funcionalismo público sobre o reajuste salarial e outras reivindicações da campanha salarial deste ano já levou os professores da rede municipal a programarem uma greve para o fim do mês.
Em reunião realizada na última segunda-feira (30), cerca de 500 educadores aprovaram a realização de uma nova assembleia com indicativo de greve para o dia 28 de abril. Depois eles saíram pelas principais ruas do centro da cidade em protesto contra o governo.
Segundo o coordenador geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) subsede Betim, Luiz Fernando Souza Oliveira, antes da assembleia, com indicativo de greve, serão realizados debates para mostrar à comunidade a situação em que se encontra a educação da cidade.
Apesar de a data-base do funcionalismo ser o dia 1º de abril, a prefeitura só marcou a primeira reunião da mesa de negociação para a próxima sexta-feira (10), o que revoltou a categoria. Nos bastidores, o comentário é que o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) vai alegar problemas financeiros para não conceder aumento salarial neste ano.
“Essa demora do governo municipal em iniciar as negociações aumenta ainda mais as perdas salariais da categoria. Os professores de Betim já recebem o pior salário em início de carreira da região metropolitana (R$ 1.351,48 para professor PIL). Além disso, estamos cansados de ter que pagar a conta pelos problemas financeiros alegados pelo governo. Em função da ausência de resposta diante da pauta, foi aprovada essa assembleia com indicativo de greve”, afirmou Luiz Fernando.
Saúde
E não são só os educadores que estão irritados com a demora do governo em negociar. Profissionais da saúde, que cruzaram os braços durante 24 horas na semana passada devido à falta de segurança nas unidades de urgência da cidade, também ameaçam outras paralisações.
Segundo a diretora do Sind-Saúde, Berenice de Freitas, a categoria vai esperar a primeira reunião da mesa de negociação antes de fazer uma nova assembleia. Mas a sindicalista já adiantou que não irá aceitar que o governo alegue problemas financeiros para não conceder o reajuste. “Não adianta o governo dizer que não tem dinheiro. O servidor já está desgastado com a falta de segurança e de materiais nas unidades e não pode ficar sem aumento”, completou Berenice.
Revolta
Recentemente, o governo municipal alegou problemas financeiros para justificar o corte do quinquênio (gratificação de 10% sobre o salário concedido a cada cinco anos de carreira) de professores que cumprem 24 horas-aula por semana. Eles passaram a receber o quinquênio somente sobre 20 horas-aula, o que gerou críticas. “Os ajustes que o governo faz para reduzir os gastos só resultam em perdas para os servidores. Infelizmente, nos últimos anos, os prefeitos não tiveram o cuidado de aumentar a receita própria. E, com isso, os servidores e a cidade é que estão sofrendo”, afirmou o vereador Eutair Santos (PT).
Resposta
Em nota, a prefeitura informou que tem “analisado criteriosamente” as pautas de reivindicações e ainda está no prazo para iniciar as negociações. O governo ressaltou ainda que, com o fim primeiro trimestre de 2015, tem-se a consolidação do cenário econômico e fiscal, o que será usados nas negociações.