Apesar de as Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) Guanabara e Alterosas atenderem milhares de moradores de bairros carentes dessas região, uma polêmica medida tomada pelo secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, nesta semana vai prejudicar, em muito, quem busca assistência pediátrica nessas unidades. Segundo denúncia feita por pediatras, o gestor alegou economia de gastos para determinar que cerca de 20 médicos efetivos e alguns técnicos em enfermagem sejam remanejados ainda neste mês para as UAIs Sete de Setembro e Teresópolis. Com isso, moradores dessas regiões terão que se deslocar para bairros mais longes para conseguir atendimento pediátrico.
Para a pediatra Mara Rúbia, que atua na UAI Alterosas há 15 anos, em vez de ampliar o serviço e dar melhores condições de trabalho e de salário, a prefeitura está tentando sobrecarregar o pediatra e reduzindo os pontos de atendimento. “Quem vai sofrer é a população, que vai ficar sem o atendimento. Já a tendência do profissional, diante da sobrecarga de trabalho, é desistir do serviço. Cada vez mais, Betim está ficando mais desassistida. A gente fica sem medicação, muitas, vezes, não temos leitos para colocar as crianças, fazendo com que eles fiquem em condições sub-humanas”.
Já segundo o pediatra Marcelo Martins Tavares, também trabalhador da UAI Alterosas há quase 15 anos, falta coerência na medida tomada pelo secretário de Saúde. “O Rasível deveria ir a público para dar uma satisfação para os médicos e para a população. O profissional fica sabendo das coisas de última hora. É um desrespeito com o profissional que está há anos se dedicando à saúde pública do município”.
O pediatra Augusto Gomes, há 14 anos na rede, disse que a medida tomada prefeitura foi “tocada”. “Mandam a gente para lá sem nenhuma estrutura de trabalho, sem mesmo uma sala adequada para fazer os atendimentos as crianças. A justificativa da prefeitura, ao que parece, é economia de gastos”, contou.
Falta de segurança
Outra problema grave, já enfrentados pelos profissionais da UAI Teresópolis, e que está preocupando os médicos é a falta de segurança na unidade. “Lá teremos que conviver também com o problema da agressão. Com a sobrecarga de trabalho, a qualidade do serviço vai reduzir e o usuário, insatisfeito, pode acabar agredindo o profissional”, alertou Mara Rúbia.
Pediatra da UAI Teresópolis, Edina Santana Rocha confirma a violência. “Já teve caso de gente escondendo dentro do banheiro para fugir de agressões, funcionários sendo agredidos, sendo roubados. Agora, a tendência é que isso fique ainda pior”, disse Edina, que também é pediatra na UAI Alterosas.
Na outra ponta, quem depende do atendimento público municipal reclama da mudança. É o caso de Jéssica Renata, que buscou atendimento na UAI Guanabara nesta semana para seus dois filhos. “Eu moro no Petrovale e as UAIs Sete e Teresópolis ficam muito longe da minha casa. Como deixam duas unidades sem pediatras para atender as crianças, que são o futuro da nação?”, questionou a mãe.
Resposta
A Secretaria de Saúde informa que realizou uma reunião, nessa quarta-feira (6), com os pediatras e ressaltou que “a medida visa garantir a assistência integral à população, concentrando o atendimento de urgência em dois pontos da rede”.
A secretaria informou ainda que “assegura a estrutura adequada para o atendimento e que está realizando um estudo sobre os métodos de transporte para a população”, finalizou.