Após fechar 2014 com o pior resultado na criação de empregos formais em dez anos, Betim iniciou este ano com um cenário nada animador. Nos dois primeiros meses de 2015, foi registrada uma queda de 107% na geração de novas vagas em comparação com o mesmo período de 2014.
De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no primeiro bimestre, foram fechados 73 postos de trabalho na cidade, contra a criação de 981 no mesmo período do ano passado. Somente em janeiro deste ano, cem vagas foram fechadas. No mesmo mês de 2014 foram criadas 520. Já em fevereiro do ano passado, foram gerados 364 novos empregos, enquanto que, neste ano, 23 deixaram de existir.
Os setores que tiveram os piores resultados durante o primeiro bimestre deste ano foram a indústria e o comércio. Ao todo, a primeira demitiu 262 trabalhadores a mais do que contratou (2.673 contra 2.411), continuando a liderar o ranking de demissões na cidade. O resultado é assustador se comparado com o mesmo período de 2014, quando se registrou um saldo positivo de 841 vagas.
Já o comércio fechou 140 vagas em dois meses. No entanto, o saldo foi melhor que o registrado no primeiro bimestre de 2014, quando foram fechados 245 postos de trabalho.
Por outro lado, o setor de serviço continua apresentando o melhor resultado,. Nos dois primeiros meses, foram criados 265 empregos formais na cidade. Já a construção civil se recuperou um pouco. Depois de fechar postos no ano passado, em janeiro e fevereiro, o setor criou 131 vagas, resultado bem melhor que no mesmo período de 2014, quando o saldo negativo foi de 449.
De acordo com o professor de economia da PUC-Minas Flávio Constantino, a situação tende a continuar nos próximos meses. “Toda vez que a economia cresce pouco, num cenário de crise, o mercado de trabalho é o último a sentir os prejuízos. E esse prejuízo chegou, com o fechamentos de vagas. Por isso, esse cenário vai continuar neste ano”, explicou.
Duas situações explicam a crise. “O primeiro é a decisão do governo em investir menos. O segundo é o setor privado, pois, a elevação dos juros para combater a inflação, o que é, para mim, um remédio amargo, obriga os investidores a cortarem gastos e adiar os planos de investimentos. Com isso, menos vagas são criadas”, disse.
Cidades industriais, como Betim, devem continuar em crise. “A indústria brasileira está acuada e, as cidades que dependem dela, vão sentir isso”, concluiu o especialista.