Funcionários paralisam unidade após agressões

Com cartazes e uma faixa pedindo “respeito”, os funcionários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Laranjeiras paralisaram, na manhã da última quinta-feira (29), o atendimento no posto de saúde devido a falta de segurança.
Segundo eles, somente na última semana, dois boletins de ocorrência tiveram que ser registrados na Polícia Militar depois de três servidores sofrerem agressões físicas e verbais dentro da unidade.
Ainda de acordo com os servidores, muitos usuários ficam revoltados com a falta de estrutura na saúde e acabam descontando nos servidores. E, para piorar a situação, segundo eles, a prefeitura não disponibiliza nenhum tipo de segurança.
No sábado (24) passado, uma senhora teria se exaltado com duas servidoras porque não havia vacina no posto de saúde. “Esta não foi a primeira vez que fomos agredidas verbalmente. Os usuários ficam irritados com a falta de estrutura da saúde e descontam na gente. E para piorar, não temos sequer um segurança aqui”, afirmou uma funcionária, que pediu para não ser identificada.
Além das ameaças frequentes, na última quarta-feira (28) uma funcionária da limpeza foi agredida fisicamente. “A funcionária, que realiza a higienização da unidade, havia acabado de limpar o banheiro, e uma mulher que veio marcar consulta colocou sua filha para fazer xixi no chão. Depois de ser advertida, ela começou a agredir fisicamente a moça que faz a limpeza. O rosto dela ficou marcado”, contou outra trabalhadora da unidade.

Recorrente
De acordo com o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde) subsede Betim, o problema de violência nas unidades é recorrente na cidade. Segundo a entidade sindical, a prefeitura pouco tem feito para garantir a segurança dos servidores.
“Depois da agressão, todos estão com medo de trabalhar. O que eles querem é segurança e estrutura para realizarem seus trabalhos da melhor maneira possível. Esses casos são recorrentes. Isso é inadmissível. A prefeitura precisa rever isso e oferecer condições dignas para que os trabalhadores saiam de casa com vontade de trabalhar, com satisfação”, afirmou o diretor Leonildo Ferreira Lopes.
Para outro servidor da UBS, a estrutura precária acaba deixando os usuários revoltados. “Aqui, além da estrutura física ser precária, também temos que enfrentar o medo, a indignação do usuário que acha que a culpa da falta de estrutura é nossa. Na quarta (28), uma funcionária da limpeza teve o rosto todo arranhado por uma usuária. Algo pior podia ter ocorrido, já que entram aqui pessoas armadas todos os dias e nós temos que ficar calados. O que vamos fazer? Parar de trabalhar? Pedimos às autoridades que olhem por nós e nos ajudem. Só queremos mais segurança, não é pedir muito, né?”, questionou.

Posicionamento
A assessoria da Prefeitura de Betim informou que a Guarda Municipal realiza patrulhas preventivas nas UBSs, principalmente nas que se localizam em regiões com maior incidência de criminalidade.

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