Foto: Ronaldo Silveira/O Tempo Betim
Equipes da prefeitura de Betim e da Copasa estão nas ruas do bairro Vila das Flores, em Betim, na tarde desta quarta-feira (5), para acompanhar a realocação de 51 famílias após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmar, em decisão publicada na terça-feira (4), que a Copasa deve apresentar um plano de ação para garantir a segurança dos moradores que vivem próximos à represa Várzea das Flores por causa da água excedente na barragem.
Com a previsão de mais chuvas nos próximos dias, a Justiça determinou que a companhia tome providências emergenciais e arque com os custos da realocação desses moradores.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Ednard Tolomeu, disse que a Copasa é quem deverá arcar com os custos da realocação de moradores. “Por ordem judicial, a Copasa fez levantamento de todas as casas por vir a sofrer impacto pelas águas e chegou a 319 residências em dois quilômetros. Desse total, 51 delas têm um risco maior. Conforme determinou a decisão, os moradores dessas 51 serão realocados em hotel para que eles fiquem de maneira segura”, explicou.
Os animais e móveis dos moradores também serão levados para um lugar seguro e protegidos das chuvas. “Não sabemos o prazo em que essa realocação deverá durar, pois não controlamos o fenômeno da natureza. O laudo da Copasa também deve apresentar se essa realocação será provisória ou definitiva. Se for definitiva, terá que se fazer uma avaliação dos imóveis e ver como vai proceder a indenização. Mas todo o custo, tando da retirada dos moradores quanto de possíveis indenizações, será arcado pela Copasa”, completou.
De início, 51 famílias foram cadastradas e irão para um hotel no centro de Betim. De acordo com o procurador geral de Betim, Bruno CYpriano, "a Copasa vai disponibilizar caminhões de mudança para os moradores levarem seus móveis e garantir a segurança deles. Todos os móveis serão cadastrados para que não haja perdas". A previsão é que o carregamento dos móveis comece a ser feito nesta quinta (6).
O pedreiro Milanez Gonçalves é um dos moradores que terão que sair do local. "Vou sair e vou para o hotel. Não tem outro jeito, eu já perdi tudo na chuva do último dia 24 em que a água subiu 1,60m na minha casa. Perdi meu carro e vários móveis, e o importante agora é preservar a vida. Depois vamos discutir como é que vai ficar a nossa situação", disse.
A microempreendedora Rúbia de Castro também aceitou ir para o hotel. "Nunca imaginei passar por uma situação dessa. Ainda mais eu que tenho duas crianças, mas como tem uma decisão da justiça, também decidimos ir para o hotel", contou.
Em nota, a Copasa informou que apresentou nesta quarta-feira (5) a relação dos imóveis localizados às margens do ribeirão Betim, com possíveis riscos de atingimento por elevação do nível. “São cerca de 55 imóveis. Destes, 30 residências já foram identificadas e os moradores cadastrados. Quinze imóveis encontravam-se vazios, mas a Copasa, nesta quarta-feira, continuou os trabalhos de comunicação e de sensibilização para cadastramento dos demais moradores. A companhia também disponibilizou ao município 186 acomodações em hotel situado no centro da cidade para acolhimento dos moradores, bem como duas empresas de transporte e guarda dos bens móveis de propriedade dessas pessoas que serão removidas”, diz a nota.
A Copasa reafirma ainda que a represa da Vargem das Flores opera de forma segura e estável.