Família de mãe e bebê mortas em chacina clama por justiça

O nome que se dá ao que aconteceu na noite da última segunda-feira (29), no bairro São Luiz, é chacina, coletivo de assassinato frio, brutal, premeditado. Dois homens armados, entraram em uma festa infantil, que ocorria na garagem de uma casa no beco próximo à rua Antônio Dias, para matar dois homens que estavam no aniversário. O mais chocante é que, ao atirarem a ermo em meio a dezenas de convidados, inclusive de crianças, além de matar os alvos, Carlos Daniel L. Dutra, 24, e Adriano Oliveira Soares, 22, e de balearem no pé uma jovem de 14 anos, os assassinos tiraram a vida de duas inocentes: Jéssica Sabrina de Oliveira Ferreira, 20, e a filha Ana Laura, uma bebê de apenas 11 meses.

Alegre e muito religiosa, segundo contaram familiares, a cabeleireira ia completar mais um ano de vida no próximo sábado (3). Cheia de planos e sonhos, ela havia acabado de iniciar as aulas de direção para tirar carteira de habilitação, e lutava todos os dias, junto com o marido, para conseguir dinheiro para terminar a construção da casa em que o casal pretendia morar, no bairro Icaivera, junto com as duas filhas, a bebê de 11 meses assassinada, e outra menina de 2 anos e 8 meses. Já a pequena Ana Laura, um anjinho que mal balbuciava uma palavra inteira, sequer teve a chance de ter lutado pela vida. “Minha sobrinha estava “no lugar errado, na hora errada. Ela arrumou o cabelo da dona da festa e foi convidada para o aniversário. Por ironia do destino, Jéssica estava pregando a palavra de Deus para um dos rapazes que morreu. Na hora dos tiros, todo mundo correu para o lado oposto e ela, por desespero, correu na direção errada”, disse a tia das vítimas, Elza Campos.

Muito abalada, a tia clamou por justiça e afirmou que os assassinos das sobrinhas foram perdoados. “Quero apenas que a justiça seja feita, que esses homens que as mataram paguem pelo o que eles fizeram. Nunca pensei que ia falar isso na vida, ainda mais de pessoas que tiraram a vida de alguém, mas eles foram perdoados por todos nós, inclusive pelo espírito da Jéssica. A consciência deles é que será a justiça. Se eles quisessem matar esses dois rapazes, porque não esperaram eles saírem da festa? Não tinha apenas as minhas sobrinhas lá, tinha muitas outras crianças. Elas foram vítimas, mas poderiam ter sido muito mais”.

Suspeitos identificados

Até o fechamento desta edição, os dois suspeitos não haviam sido presos. Apesar disso, segundo o delegado de Homicídios de Betim, Otávio Luiz de Carvalho, os dois já haviam sido identificados. “Não podemos informar o nome deles. Mas trata-se de um rapaz de 19 anos, que tem extensa ficha criminal. Quando menor, ele foi internado duas vezes por diversos crimes, inclusive por homicídio. Recentemente, também foi indiciado por outro assassinato em Betim. Já o outro suspeito tem 22 anos e tem passagens por tráfico e uso de drogas”.

O delegado esclareceu que os alvos eram Carlos Daniel e Adriano, sendo que o último teria sido “parceiro” de crime de um dos assassinos. “Eles faziam parte da mesma quadrilha, mas romperam recentemente. Não sabemos o motivo dessa briga, mas acreditamos que os homicídios tenham sido um acerto de contas”, afirmou.

Semana violenta

Além da chacina que deixou quatro pessoas mortas, outras nove pessoas foram executadas em Betim de sexta (29) até o fechamento desta edição, totalizando 13 homicídios. Os dados confirmam o “Mapa da Violência 2016: Homicídios por Arma de Fogo no Brasil”, coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo, que colocou Betim como segunda cidade mineira com maior taxa média de mortalidade por arma de fogo entre 2012 e 2014, com 50 mortes a cada 100 mil habitantes. São Joaquim de Bicas lidera, com taxa de 70,8 mortes.

Dentre os assassinatos, um que chamou a atenção ocorreu no sábado (27), no bairro Sol Nascente, quando um casal foi assassinado na frente dos filhos, duas meninas de 6 e 7 anos e de um menino de 14. Outro crime impressionante ocorreu no Petrovale, na terça (30): um homem de 29 anos foi morto foi morto a tiros e, após fugir, o autor foi pego por populares e entregue a polícia com os braços amarrados.

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