Falta de veículos do Samu põe vida de usuário em risco

A demora por atendimento que deveria ser prestado por uma ambulância do Samu revoltou quem passava pela rua Incofidência, no centro de Betim, na manhã da última terça-feira (30). No local, um casal que sofreu um acidente por volta das 10h30, precisou esperar por socorro por quase duas horas.
As vítimas, Edson Brant, 23, e Sara de Castro, 23, estavam em uma motocicleta e passavam pela via quando bateram na traseira de um automóvel e caíram. Segundo populares, o Samu foi acionado por diversas vezes, mas nenhuma equipe foi enviada. Somente depois de muita espera, quase duas horas depois, é que uma ambulância do Corpo de Bombeiros, vinda do Barreiro, apareceu.

O drama vivenciado por Edson e Sara revela uma grave realidade do serviço prestado hoje pelo Samu em Betim. Apesar de a frota da Secretaria Municipal de Saúde contar com quatro Unidades de Suporte Básico (USBs) e duas Unidades de Suporte Avançado (USAs), sendo que quatro desses veículos são custeados pelo governo federal, nesta semana, apenas uma USB estava funcionando, mesmo assim, de forma precária. A informação foi repassada por funcionários do Samu, que terão o nome preservado.

“Essa situação crítica já se arrasta há quatro meses, mas piorou nos últimos dias. Em média, esses seis veículos deveriam atender 40 pessoas por dia. Mas estamos deixando de atender várias pessoas por dia, porque não temos como enviar ninguém já que não há veículos disponíveis. Com isso, temos que acionar o Corpo de Bombeiros”.

A afirmação dele foi confirmada no caso do socorro prestado as vítimas do acidente ocorrido na região Central. Na ocasião, o socorrista Adriano Ferreira Costa, 25, que, por acaso passava pelo local, foi quem prestou o primeiro atendimento. De acordo com ele, várias pessoas acionaram o serviço através do 192, sem sucesso. “Ficamos esperando por muito tempo e nenhuma ambulância apareceu. Os atendentes do Samu disseram que não havia carro disponível. Como sou socorrista, resolvi parar e ajudar, mas sem ambulância as pessoas podem até morrer”, alertou Costa.

Segundo pessoas que passavam pelo local, a equipe do Samu disse que havia somente uma ambulância para atender toda a demanda do município.

Conforme o Ministério da Saúde, todos os meses, a União repassa R$ 104,4 mil para a Prefeitura de Betim custear uma USA e três USBs habilitadas pelo governo federal. No total, são disponibilizados ao município por ano mais de R$ 1,2 milhão.

Esse recurso, segundo o Ministério da Saúde, é gerido pelo prefeito da cidade, e deveria ser empregado no pagamento de pessoal, manutenção dos veículos, reestruturação da unidade, aquisição de insumos e manutenção dos equipamentos. “A União arca com 50% do valor total, o Estado custeia com, no mínimo, 25%, e o município com 25%”, informou.

Contudo, ao que tudo indica, a prefeitura não estaria cumprindo seu dever de casa. “O município não faz a manutenção preventiva, como troca de óleo e correia dentada. Só manda para a oficina quando a ambulância quebra. O conserto fica, em média, entre R$ 8 mil e R$ 20 mil e não há veículos reservas. Nesta semana mesmo, um veículo perdeu o freio durante o atendimento”, afirmou.

Para se ter uma ideia dos problemas de má gestão, se fizermos um comparativo, Ipatinga, cidade com 239.468 habitantes, 138.621 a menos que Betim, que possui 378.089 moradores, conforme último Censo divulgado pelo IBGE, em 2010, tem a disposição da população 11 ambulâncias, sendo que três servem de reserva, ou seja, substituem os veículos que apresentarem algum problema.

Irregularidades

Uma fiscalização feita pela Controladoria Geral de União (CGU), em setembro de 2014, na prefeitura, para verificar a aplicação de recursos federais na cidade, constatou irregularidades na prestação e na manutenção dos trabalhados do Samu. Uma delas é com relação à precariedade da Central de Regulação do Samu, que fica no bairro Filadélfia, e outra aponta que R$ 203 mil foram usados indevidamente com a compra de combustível para os veículos do Samu.

Resposta

A Secretaria de Saúde admitiu que todas as unidades do Samu estavam em atendimento e disse que o procedimento de acionar os Bombeiros, nesses casos, é adotado em todo o país. “As equipes dos dois órgãos trabalham de forma cooperada”. A secretaria disse ainda que “quatro veículos estão em funcionamento e dois estão em manutenção, aguardando a reposição peças da assistência autorizada”.

Sobre as denúncias do CGU, a Secretaria de Saúde informou ainda que o combustível deve ser utilizado com os veículos do Samu, portanto, os valores foram utilizados de maneira correta. Além disso, “todas as justificativas já foram encaminhadas à CGU por meio de relatório”, declarou a prefeitura.

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